As altas temperaturas recentes no sertão e no litoral da Paraíba chamaram a atenção durante o programa “Manhã TH+”. Especialistas discutiram a sensação de calor intenso que a população tem sentido e se isso está relacionado com mudanças climáticas ou outros fatores.
O meteorologista Alexandre Magno, gerente de Hidrometeorologia e Eventos Extremos da ESA, comentou por videochamada que, apesar do desconforto térmico, os dados mostram que não houve um aumento significativo na temperatura média do estado neste início de ano. Segundo ele, os registros atuais estão dentro da média histórica dos últimos anos.
“Embora as pessoas sintam mais calor, isso não se reflete diretamente nos dados climáticos. As temperaturas estão em torno do que é esperado para essa época do ano”, explicou Magno.
### Sensação Térmica nas Cidades
Magno destacou que o principal motivo da sensação de calor elevado nas cidades é a urbanização acelerada. Fatores como a impermeabilização do solo, o excesso de asfalto, a verticalização das construções e a diminuição da arborização urbana criam “ilhas de calor”, que elevam a sensação térmica, especialmente em áreas urbanas densamente construídas.
Em João Pessoa, por exemplo, a temperatura máxima registrada em 4 de janeiro foi de 30,5°C, um valor considerado normal e até ligeiramente abaixo da média histórica. No entanto, a grande quantidade de prédios e pavimentação intensifica a sensação de calor.
No sertão, a situação é similar. Em Patos, as medições no centro urbano chegaram a 38°C, enquanto áreas rurais próximas marcaram cerca de 36°C, um valor esperado para a região. A diferença mostra como o ambiente urbano influencia a sensação térmica.
### Importância das Mediões Científicas
O meteorologista ressaltou a importância de diferenciar dados científicos de estimativas. A ESA possui uma das redes mais modernas de estações meteorológicas do país, com 96 estações que fornecem medições confiáveis. Em comparação, alguns dados divulgados em nível nacional são baseados em estimativas por satélite, que podem não refletir precisamente a realidade local.
Magno também observou que medições feitas em praças urbanas, cercadas de concreto e sem ventilação, não podem ser comparadas às de áreas abertas, que são o padrão para análises meteorológicas oficiais.
### Planejamento Urbano em Debate
O programa também discutiu a necessidade de revisar o planejamento urbano nas cidades paraibanas. Aumentar áreas verdes, criar praças, arborizar avenidas e preservar áreas permeáveis foram algumas das sugestões para reduzir o desconforto térmico e melhorar a qualidade de vida.
Os participantes ressaltaram que a falta de planejamento pode agravar problemas ambientais e urbanos. Em contraste, ações estruturais podem ajudar a minimizar os impactos do calor intenso.
No final da entrevista, o especialista enfatizou que, embora o clima na região não tenha mudado do ponto de vista científico, a forma como as cidades estão ocupadas tem um papel crucial na intensidade do calor sentido pela população.