A conexão entre a Globo e a literatura, tanto nacional quanto internacional, é longa e produtiva. Desde o início da emissora, diversas adaptações de livros, contos e clássicos têm conquistado o público, trazendo para a tela obras que, muitas vezes, eram pouco conhecidas.
Ao longo dos anos, essa relação se tornou uma das características mais reconhecíveis da emissora. Ela não apenas apresentou grandes autores ao público, mas também reinterpretou suas histórias, criando fenômenos culturais que se estenderam por gerações.
Entre as adaptações mais memoráveis, destaca-se Gabriela, baseada no romance de Jorge Amado, que se tornou um verdadeiro marco da televisão brasileira, ajudando a popularizar ainda mais o autor. Em 1989, outra obra de Amado, Tieta, também encontrou seu lugar nas telinhas, trazendo uma mistura de humor e crítica social.
A novela Senhora do Destino, embora não seja uma adaptação direta, foi inspirada em histórias literárias sobre coronelismo e tragédias familiares, fortalecendo ainda mais essa ligação entre a literatura e a TV.
Durante as décadas de 80 e 90, as minisséries da Globo se destacaram pela adaptação de clássicos com um estilo cinematográfico. O Tempo e o Vento, adaptada do livro homônimo de Érico Veríssimo, e Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, são exemplos de produções ousadas que enfrentaram a complexidade das obras originais.
Outras adaptações notáveis incluem Riacho Doce, de José Lins do Rego, e A Muralha, com base no romance de Dinah Silveira de Queiroz, que retrata a colonização brasileira de forma impactante.
A minissérie Presença de Anita, adaptada do livro de Mário Donato, também fez sucesso, provocando debates por seu conteúdo ousado. Capitu, baseada em Dom Casmurro, de Machado de Assis, representou uma abordagem moderna e inovadora da história.
A novela Escrava Isaura, apesar de ter sido transmitida em uma fase diferente da teledramaturgia, se tornou um fenômeno no exterior e é uma das produções brasileiras mais exportadas. O Primo Basílio, adaptado da obra de Eça de Queirós, trouxe dramas portugueses ao público brasileiro, enquanto A Casa das Sete Mulheres misturou ficção histórica e romance no contexto da Revolução Farroupilha.
Nos tempos mais recentes, a Globo também começou a adaptar obras de autores contemporâneos. Dois Irmãos, baseada no livro de Milton Hatoum, foi elogiada pela sua narrativa sensível, e Justiça, embora não baseada em um livro, apresenta uma estrutura narrativa rica em elementos literários.
Entre as grandes adaptações estão também as obras de Walcyr Carrasco e Benedito Ruy Barbosa. O Cravo e a Rosa, inspirada em A Megera Domada, de William Shakespeare, e Pantanal, que revisitou a saga da família Leôncio, são exemplos de sucessos que se tornaram clássicos na programação da Globo.
A força dessas produções se deve a enredos profundos, personagens bem elaborados e conflitos universais que ressoam com o público. A televisão, ao adaptar histórias consagradas da literatura, amplia seu alcance e atualiza narrativas, mantendo viva a tradição da ficção.
Essa relação entre literatura e televisão permanece forte, e novas adaptações continuarão a surgir nos próximos anos, prometendo encantar ainda mais o público.
