Aplicativo gratuito e anônimo ajuda a identificar abuso antes da agressão

A policial civil Priscila Guimarães, que atua na Delegacia de Defesa da Mulher de Santa Fé do Sul (SP), criou o aplicativo Be Safe Mulher para ajudar mulheres a identificar relacionamentos abusivos antes que a violência física aconteça. A ferramenta, que já registra cerca de 600 testes por semana, funciona como um canal de conscientização e diagnóstico precoce.
Natural de Paranaíba, Priscila é servidora da Polícia Civil de São Paulo e trabalha a 18 km da divisa com Mato Grosso do Sul. Ela afirma que a experiência no atendimento diário a vítimas motivou a criação da plataforma. O aplicativo busca identificar comportamentos que muitas vezes são normalizados, como controle excessivo, ameaças, humilhações, perseguição, isolamento e violência psicológica.
"A intenção do aplicativo é chegar à mulher antes mesmo da delegacia, antes da agressão física e antes que a violência chegue a um desfecho mais grave. A informação também é uma forma de proteção", diz a idealizadora.
Como funciona o teste
A plataforma foi pensada para ser simples e acessível, usando ilustrações e recursos visuais para explicar os tipos de conduta abusiva. A usuária responde a 25 perguntas objetivas com "sim" ou "não" sobre situações do dia a dia. Cada resposta tem um grau de risco, e o sistema gera automaticamente um diagnóstico sobre a gravidade da relação, que pode variar de moderado a grave.
Entre as perguntas estão: "Seu parceiro(a) frequentemente grita com você, mesmo por pequenas coisas?", "Ele já tentou te controlar impedindo você de estudar, trabalhar e realizar outras atividades?" e "Você se sente 'presa' ao relacionamento, pois tem medo do que ele pode fazer caso você termine?".
Se o resultado indicar risco moderado ou grave, a tela mostra um botão de emergência disponível 24 horas. O recurso direciona a mulher para canais de apoio como a Central de Atendimento à Mulher (180), a Polícia Militar (190), os Direitos Humanos (100) e suporte de prevenção ao suicídio.
Acesso e privacidade
O aplicativo está hospedado na web, no endereço https://app.defesadamulher.com.br/, e não exige instalação. Ele pode ser acessado de qualquer lugar do Brasil. A ferramenta é 100% anônima: a desenvolvedora não tem acesso a dados pessoais nem a resultados individuais. O único dado monitorado é o volume global de acessos.
Priscila reforça que o aplicativo não substitui o atendimento presencial. "O aplicativo não substitui o trabalho da Polícia, o atendimento psicológico ou o Poder Judiciário. Ele é uma ferramenta de informação e prevenção", afirma.
A proposta para o futuro é expandir o alcance do projeto e aproximá-lo de instituições de ensino, universidades e órgãos públicos especializados no combate à violência de gênero. "Quanto maior for essa rede, maior vai ser a possibilidade de fazer com que a informação chegue justamente a quem precisa. Se a gente conseguir fazer com que uma mulher reconheça os sinais da violência mais cedo e interrompa o ciclo antes que ele se torne mais grave, o projeto já terá cumprido sua missão", finaliza.
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