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As nuances da pintura de Assis Costa

Artista Potiguar Ganha Reconhecimento Internacional com Suas Obras

Assis Costa, um artista de Currais Novos, no Rio Grande do Norte, é conhecido por suas pinturas inspiradas nas memórias de sua infância no universo rural. Desde pequeno, Assis mostrou interesse pelas artes plásticas e teve a sorte de contar com o apoio de amigos e intelectuais que incentivaram sua curiosidade e criatividade.

A internet desempenhou um papel fundamental em sua trajetória. Um episódio marcante ocorreu quando um admirador de São Paulo, ao ver suas obras online, resolveu comprar 11 delas para decorar sua casa em São Miguel do Gostoso. Assis ficou surpreso, pois nunca tinha estado na cidade. O comprador organizou um encontro no aeroporto para concluir a negociação. Quando Assis chegou ao local, encontrou o comprador e um grupo de pessoas, criando um momento inesperado. As obras foram destacadas na revista Casa Vogue, resultando em uma enxurrada de contatos de interessados que reconheceram seu trabalho.

A repercussão das suas obras não parou por aí. Um embaixador brasileiro na Suíça, ao folhear uma revista, deparou-se novamente com o trabalho de Assis. Ele expressou sua surpresa, afirmando que não imaginava que suas obras seriam reconhecidas em uma publicação tão relevante na Alemanha.

A Trajetória de um Artista Autodidata

Assis Costa cresceu em um contexto onde o acesso a materiais de arte era limitado. Desde a infância, ele tentou explorar seu talento. Lembrando da sua experiência dos anos 1970, ele revela que, por falta de recursos, muitos artistas do interior se tornam autodidatas. Assis menciona um amigo de infância, Zeca Zenner, que também o incentivou a seguir o caminho das artes.

Em 1988, ele teve a oportunidade de estudar com João Antônio, seu primeiro mestre, que não apenas ensinou técnicas de desenho e pintura, mas também incentivou uma visão crítica sobre a arte e a sociedade. Assis relata que durante a primeira aula, em vez de abordar técnicas artísticas, o professor trouxe questões sobre Karl Marx e o papel dos artistas no capitalismo.

Desafios da Profissão

Viver da arte é um desafio, e Assis logo percebeu que apenas pintar telas não era suficiente para garantir sua subsistência. Para se manter, ele começou a trabalhar em decorações para eventos, como festas juninas e decorações escolares. Um de seus grandes feitos foi sua participação no “Natal Luzes do Sertão”, onde desempenhou papéis como pintor e escultor.

Com o tempo, a arte de Assis passou a incorporar elementos do sertão e da cultura local, refletindo suas experiências e vivências. Ele se destaca por apresentar temas como a vida rural e a luta das pessoas que habitam essas regiões, contribuindo para a valorização da cultura potiguar.

Influências e Temáticas

Assis Costa tem influência de grandes mestres da arte, como Monet, Van Gogh e Picasso. Sua paixão pela natureza e pela luz do sertão é evidente em suas obras, que misturam técnicas clássicas e modernas. Apesar de admirar o trabalho de artistas como Portinari, Assis sente que a representação da pobreza e das dificuldades enfrentadas por seu povo ressoa mais com sua realidade. A dignidade e as histórias das pessoas que ele retrata são sempre sua prioridade.

Reconhecimento além das Fronteiras

Assis começou a expandir sua carreira quando recebeu um convite para trabalhar no sul do país, em 2002. Participou de grandes eventos, teve a oportunidade de expor suas obras em Gramado e Canela e até trabalhou em comerciais. Essa nova exposição ajudou a consolidar seu reconhecimento, e ele foi destaque em um livro sobre as famílias italianas que imigraram para o país.

Memórias e Inspirações

As memórias de sua infância no campo, como a colheita de algodão e a vida simples dos seus familiares, estão presentes em suas telas. Assis destaca que suas experiências de vida, incluindo as lutas de sua família, são fundamentais para sua produção artística. Ele expressa sua felicidade por viver da arte, contando histórias e retratando a cultura que lhe é tão cara.

Conclusão

Assis Costa transforma suas memórias e experiências numa arte que dialoga com sua realidade e com a identidade do sertão potiguar. Com sua trajetória inspiradora, ele continua a cativar pessoas ao redor do mundo, mostrando que a arte pode ser uma poderosa forma de expressão e resistência.