O Sertão Notícias»Notícias»Brazil court upholds $55K payout for medical error in Bonito

Brazil court upholds $55K payout for medical error in Bonito

Após 13 anos de disputa judicial, o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) manteve a condenação do Hospital Darci João Bigaton e da Prefeitura de Bonito ao pagamento de R$ 300 mil em indenizações à família de Glaucilene Martins, que morreu aos 29 anos, dois dias após receber alta médica. A jovem foi atendida na unidade hospitalar após sofrer um golpe de punhal em junho de 2012, e o processo tramita desde 2013. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (29).

Os desembargadores negaram recurso apresentado pela entidade hospitalar e confirmaram a sentença da 1ª Vara de Bonito, proferida em 3 de dezembro de 2025, que condenou o hospital e o Município de Bonito ao pagamento de indenização por danos morais e pensão aos filhos da vítima. O entendimento foi de que houve falha na prestação do serviço de saúde, ficando comprovado o nexo causal entre o atendimento prestado e a morte da paciente.

Com a decisão, ficam mantidas as indenizações por danos morais de R$ 100 mil para cada um dos autores da ação, a mãe e os dois filhos de Glaucilene. Também foi confirmada a condenação ao pagamento de pensão mensal aos filhos da vítima até que completem 25 anos.

De acordo com o processo, Glaucilene Martins foi atingida por um golpe de punhal no seio direito em 30 de junho de 2012. Ela procurou atendimento no Hospital Darci João Bigaton acompanhada da mãe e deu entrada na unidade por volta das 17h30. O primeiro atendimento médico ocorreu cerca de uma hora depois.

Conforme a ação, entre a chegada ao hospital e a avaliação médica, a paciente apresentava palidez, sudorese intensa, náuseas e episódios de vômito. O médico responsável classificou o caso como um trauma na mama, prescreveu antibióticos, solicitou exames e manteve a paciente em observação.

Ainda segundo os autos, por volta das 22h o profissional concluiu que o ferimento era superficial, receitou medicamentos e orientou repouso. Glaucilene permaneceu na unidade durante a madrugada e recebeu alta médica por volta das 7h do dia 1º de julho, mesmo sem apresentar melhora significativa. Ela foi orientada a retornar no dia seguinte para aplicação de vacina antitetânica.

Dois dias depois, em 2 de julho, a jovem voltou ao hospital reclamando de fortes dores abdominais. Na ocasião, exames laboratoriais indicaram um quadro de infecção generalizada associado ao ferimento sofrido anteriormente. A ação sustenta que a demora na identificação da gravidade do caso comprometeu as chances de recuperação da paciente.

Glaucilene chegou a ser internada novamente, mas o hospital não possuía estrutura para o tratamento intensivo necessário. O médico que a atendeu solicitou transferência para uma unidade de maior complexidade, porém ela sofreu uma parada cardiorrespiratória antes da remoção. O óbito foi constatado às 6h10 do dia 3 de julho de 2012.

Em depoimento prestado à polícia na época dos fatos, a irmã da vítima relatou que Glaucilene passou as últimas horas de vida com fortes dores, falta de ar e pedindo socorro.