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Brazil defends suspended vaccine, awaits restart after review

Brazil defends suspended vaccine, awaits restart after review

O Instituto Butantan defendeu a vacina contra a dengue que teve a estratégia de vacinação suspensa temporariamente pelo Ministério da Saúde. A instituição afirmou que espera retomar a aplicação das doses após a conclusão das investigações sobre os casos de reações adversas graves.

A suspensão foi anunciada na segunda-feira (8) após a identificação de 42 episódios de reações adversas graves entre cerca de 500 mil doses aplicadas. Entre os casos investigados, três são considerados graves, incluindo dois óbitos. O governo federal informou que ainda não há elementos suficientes para comprovar relação direta entre a vacina e os eventos registrados.

Em coletiva de imprensa, o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, disse que a decisão foi tomada em conjunto com o Ministério da Saúde e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e tem caráter preventivo. “Nós vamos aprofundar esses estudos e avaliações. O nosso compromisso é com o máximo rigor científico possível e vamos trabalhar nesse sentido com a esperança de que consigamos evidências suficientes para mostrar que a vacina tem benefício para a saúde pública brasileira e que essa vacinação possa ser retomada”, afirmou.

Kallás lembrou que o imunizante é resultado de aproximadamente duas décadas de pesquisa e desenvolvimento. Segundo ele, o Butantan foi a única instituição que recebeu a tecnologia original e decidiu seguir adiante com o projeto. A vacina foi aprovada pela Anvisa em novembro de 2025.

O diretor destacou o impacto da dengue no Brasil. “Nos últimos cinco anos, a dengue matou quase 10 mil pessoas. A gente se viu na obrigação de fortalecer esse processo para fazer a aprovação da vacina”, disse. Segundo o instituto, a vacina apresentou eficácia global de 79,6% e proteção de 89% contra formas graves da doença. O acompanhamento dos voluntários apontou proteção média de 65% ao longo de cinco anos.

A prioridade agora é analisar cada um dos casos registrados pelo sistema nacional de farmacovigilância. O trabalho inclui revisão de prontuários, integração de bancos de dados e novos estudos epidemiológicos em parceria com o Ministério da Saúde. “A avaliação profunda de todos esses casos é a primeira tarefa. Precisamos entender os pormenores de cada uma dessas pessoas e compreender a natureza dessas reações”, afirmou Kallás.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a decisão foi baseada no princípio da precaução e não significa que a vacina tenha sido considerada insegura. Os 42 casos graves representam cerca de oito ocorrências para cada 100 mil doses aplicadas. “Não existem informações suficientes para estabelecer uma causalidade entre a vacina e esses óbitos. Também não existem, até este momento, dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência desses casos graves”, afirmou.

Padilha reforçou que as pessoas já vacinadas continuam protegidas e que as doses já distribuídas não serão recolhidas nem descartadas. Elas permanecerão armazenadas nas redes de frio dos estados e municípios enquanto as investigações são concluídas.

O Instituto Butantan destacou que os municípios onde houve vacinação em massa da população apresentaram resultados positivos. Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) não registraram eventos adversos relevantes relacionados ao imunizante durante o monitoramento realizado pelas equipes de saúde.

Ao encerrar sua participação na coletiva, Kallás afirmou que o instituto continuará colaborando com o Ministério da Saúde e com a Anvisa. “O Instituto Butantan é uma instituição de 125 anos que trabalha no desenvolvimento de produtos para enfrentar problemas de saúde pública. Vamos continuar fazendo isso com absoluto rigor científico”, concluiu.