Uma menina de 11 anos foi internada após ser obrigada a tomar um medicamento injetável para emagrecimento em Amambai, cidade a 351 quilômetros de Campo Grande. O caso ocorreu no Mato Grosso do Sul e levou a Justiça a conceder medidas protetivas de urgência.
De acordo com o boletim de ocorrência e o relatório médico, a criança recebeu pelo menos duas doses de Tirzepatida, remédio originalmente indicado para o tratamento de diabetes tipo 2 em adultos. As aplicações teriam sido feitas pelo tio, um advogado de 38 anos, e pela avó materna, uma técnica de contabilidade de 68 anos.
O relato médico aponta que a menina foi induzida psicologicamente com “falas depreciativas relacionadas ao peso corporal”. Mesmo sem querer usar o medicamento, ela foi pressionada pelos parentes, que diziam que ela “precisava emagrecer”.
Cerca de duas semanas após a primeira aplicação, a criança passou a ter sintomas graves, como redução severa de apetite, tonturas, tremores, insônia e desmaios. O exame clínico mostrou perda de 5 kg em apenas uma semana, considerada inadequada para a idade. A menina também sofreu desidratação.
A mãe da criança, uma corretora de 42 anos, fez a denúncia. Com as medidas protetivas, o tio e a avó estão proibidos de se aproximar da vítima ou manter contato com ela. O caso segue sob investigação.
Riscos do uso em crianças
Segundo o médico que atendeu a menina, o uso desses medicamentos em crianças pode causar efeitos piores do que em adultos. A aplicação inadequada pode comprometer o crescimento e o desenvolvimento, causar desidratação severa, aumentar o risco de problemas na circulação e na pressão arterial e provocar perda excessiva de peso.
O especialista destacou que a Tirzepatida é indicada apenas para adultos com diabetes tipo 2. Para crianças, o uso é extremamente restrito e só é considerado em contextos específicos, com acompanhamento rigoroso.
