O granizo que atingiu a região sul de Mato Grosso do Sul na terceira semana de maio resultou na perda de 2,1 mil hectares de lavouras de milho. As áreas afetadas incluem os municípios de Dourados, Ivinhema, Juti, Deodápolis e o distrito de Culturama, em Fátima do Sul.
Os danos foram registrados pela Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul). A entidade monitora as áreas afetadas para medir o impacto sobre a segunda safra do Estado. Segundo boletim divulgado na última terça-feira (2), os prejuízos ocorreram de forma localizada.
O levantamento não detalha o percentual de perda nas propriedades atingidas. No entanto, aponta que o granizo alcançou municípios que concentram parte importante da produção estadual de milho. O episódio ocorre durante o desenvolvimento da segunda safra, estimada em 11,1 milhões de toneladas.
A área cultivada chega a 2,2 milhões de hectares, com produtividade média prevista de 84,2 sacas por hectare. Além dos danos provocados pelo temporal, os produtores acompanham o risco de estiagem e de geadas nas principais regiões produtoras. Os técnicos da Aprosoja citam essas condições como fatores que ainda podem influenciar o desempenho das lavouras até a colheita.
O boletim mostra que 70,6% das áreas monitoradas estão em boas condições. Outros 18,4% foram classificadas como regulares e 11% como ruins. A região central apresenta o pior resultado, com 23,8% das lavouras na categoria ruim.
As projeções climáticas para os próximos meses também entraram no radar do setor. Os modelos analisados pela Aprosoja indicam 92% de probabilidade de formação do El Niño entre junho e agosto. Entre os efeitos esperados estão temperaturas acima da média histórica e aumento na frequência de ondas de calor, principalmente entre a primavera e o início do verão.
Especialistas ressaltam que o fenômeno não atua sozinho, mas pode influenciar as condições climáticas que afetam o planejamento da próxima safra agrícola.
