Vídeos publicados nas redes sociais de Edso Granzotto, encontrado morto em uma área de mata em Douradina (a 192 km de Campo Grande), indicam que ele tinha o costume de caçar javalis com a ajuda de cães. As imagens foram postadas antes de sua morte, ocorrida na manhã de ontem.
Em uma das gravações, feita em 5 de junho do ano passado em Rio Brilhante, a vítima utiliza a música “O Caçador”, da dupla Janinho e Mazinho. A letra descreve a rotina de quem sai cedo para caçar e solta os cães para localizar a presa. Nas imagens, é possível ver a carroceria de uma picape Montana com pelo menos sete cães. Uma figurinha no vídeo mostra um javali morto e os cachorros sobre ele.
Outra postagem, de setembro de 2025, traz a música “Gineteada”, do grupo Porca Véia, do Rio Grande do Sul. As imagens exibem facas ensanguentadas e cães mordendo e arrastando javalis em diferentes cenários: área de mata, brejo e plantação de milho. Em alguns cortes, os animais ainda aparecem se debatendo para se desvencilhar dos cachorros. Há também vídeos de Edso em colheitadeiras e no meio da lavoura.
A legislação ambiental brasileira proíbe a caça esportiva, mas permite o controle populacional de espécies exóticas invasoras, como o javali (Sus scrofa), desde que autorizado pelo Ibama.
Caso
O corpo de Edso Granzotto, de 35 anos, foi localizado em uma área de mata. A suspeita inicial é de que ele tenha sido atacado por um javali. A vítima apresentava uma única lesão na coxa direita, compatível com mordida de animal. A Polícia Civil encontrou diversas pegadas de javali no local.
Antes da morte, Edso se comunicou via rádio com um colega, pedindo ajuda porque havia muitos animais na área. Quando o companheiro chegou ao ponto indicado, encontrou o homem caído e sem sinais vitais.
A reportagem entrou em contato com um dos delegados da cidade para obter mais detalhes sobre a investigação, mas não houve retorno.
“Caça” legal
No Brasil, o manejo de javalis é regulamentado pelo Ibama. Para atuar no controle populacional, o interessado precisa estar em dia com o CTF/APP (Cadastro Técnico Federal) na categoria de manejo de fauna exótica invasora, apresentar certificado de regularidade, registrar toda a atividade no Simaf (Sistema de Informação e Manejo de Fauna) e obter autorizações de manejo e de acesso. Ao final de cada período, é necessário apresentar relatórios de atividades.
Um relatório do Ibama de 2019 sobre áreas prioritárias para o manejo de javalis classificou diversos municípios de Mato Grosso do Sul com prioridade “extremamente alta”, “muito alta” e “alta” para prevenção da ocorrência desses animais. Entre eles estão: Aral Moreira, Guia Lopes da Laguna, Ladário, Laguna Carapã, Rochedo, Douradina, Fátima do Sul, Rio Brilhante, Anastácio, Angélica, Batayporã, Caarapó, Coxim, Dourados, Eldorado, Itaporã, Maracaju, Nova Alvorada do Sul, Porto Murtinho e Corumbá.
