sexta-feira, 02 de janeiro de 2026
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Deputado apoia “Cristo do Sertão” com verba secreta

EM 2 DE JANEIRO DE 2026, ÀS 18:14

Deputado Destina R$ 1 Milhão para Construção de Estátua em Coribe, na Bahia

O deputado federal José Rocha, do partido União Brasil, destinou R$ 1 milhão do orçamento secreto para a construção de uma estátua em Coribe, um município de aproximadamente 14 mil habitantes localizado no sertão da Bahia. A cidade é um importante reduto eleitoral do parlamentar.

Ainda não está definido o formato da estátua, mas o deputado afirma que a obra servirá para “criar um marco físico” para a cidade. Ele chegou a comparar o monumento ao famoso Cristo Redentor, situado no Rio de Janeiro. Quando questionado sobre se o valor destinado à estátua é apropriado em um município que apresenta um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) semelhante ao de alguns países da África, Rocha respondeu indagando: “E quanto você acha que custou o Cristo Redentor?”

O deputado acredita que a construção da estátua atrairá turistas de todo o Brasil para Coribe, que fica a cerca de 900 quilômetros de Salvador. O município tem um histórico político ligado à família Rocha, com seu pai e seu filho já tendo ocupado a prefeitura, atualmente gerida por um primo do deputado.

A área onde a estátua será instalada fica afastada do centro da cidade, em uma interseção de duas rodovias. O local, que atualmente é desabitado, será transformado em um parque urbano. No cronograma inicial, a previsão é de que a obra seja concluída até o final de 2026, mas até o momento, o processo de licitação para a construção ainda não começou.

José Rocha já direcionou mais de R$ 26,9 milhões do orçamento secreto para Coribe. Embora tenha criticado outros parlamentares pelo uso deste mecanismo, dizendo que as verbas eram geridas por líderes partidários de forma irregular, o deputado também tentou alocar R$ 152 milhões do orçamento secreto majoritariamente para sua própria região.

Rocha, que se sentiu prejudicado por não ter suas demandas atendidas, buscou apoio de Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal, para criticar o então presidente da Câmara, Arthur Lira, por favorecer o estado de Alagoas. Dino iniciou uma investigação para apurar o funcionamento do orçamento secreto.

Além dos R$ 1 milhão destinados à estátua, foi identificado que mais de R$ 1,2 milhão das emendas de Rocha foi destinado a uma empresa para obras de infraestrutura na praça matriz de Coribe. No entanto, essa empresa, registrada no Distrito Federal, está localizada em um prédio onde opera uma gestora de negócios, não uma construtora. A equipe de reportagem constatou que o proprietário da firma de construção estava registrado em um pequeno imóvel em Brasília e não foi localizado para comentar a situação.

Outro ponto polêmico é que José Rocha solicitou reembolso à Câmara dos Deputados por procedimentos estéticos, que incluíam rejuvenescimento facial e harmonização dentária, apresentando notas que totalizavam R$ 123 mil. A Câmara aprovou o reembolso de R$ 56 mil para os tratamentos dentários, mas negou os demais pedidos. O deputado afirmou que a responsabilidade de explicar os critérios para o reembolso cabe à Câmara e não a ele, e justificou que os procedimentos foram feitos por motivos de saúde.

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