Fim de programa pode prejudicar acesso à saúde noturna no interior de MS

O programa Horário Estendido, da Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES), será encerrado na próxima quarta-feira, dia 1º de outubro, data em que completaria um ano de funcionamento. O programa repassava R$ 20 mil mensais às prefeituras para manter postos de saúde abertos até as 21h.
Ao todo, são 46 unidades participantes, com um gasto mensal de R$ 920 mil e anual de cerca de R$ 11 milhões. Desse total, quatro unidades estão na Capital e as demais no interior do estado.
Na última quarta-feira, dia 24, o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) se manifestou a favor da continuidade do programa. O objetivo é evitar prejuízos, principalmente para os municípios menos populosos, que contam com apenas uma unidade de saúde pública.
O presidente do Cosems e secretário municipal de Saúde de Iguatemi, Janssen Portela Galhardo, afirmou que os moradores de cidades com menos de 20 mil habitantes serão os mais afetados. Essas localidades, segundo ele, têm trabalhadores concentrados na área rural.
"É um programa excelente, permite um olhar diferenciado ao trabalhador, principalmente o que trabalha o dia todo no campo. Ele serve ao foco da Saúde no interior, que é a prevenção na Atenção Primária à Saúde", disse Galhardo à reportagem.
Em alguns casos, a Unidade de Saúde da Família (USF) é o único serviço de saúde pública disponível no município e funcionava à noite. Com o fim do programa, o acesso a profissionais de saúde no período noturno pode voltar a ser feito apenas em cidades vizinhas. "Aí o morador vai precisar ir até o município de referência da região onde ele vive", completou o secretário.
Janssen informou que o Cosems pediu formalmente à SES a prorrogação do programa, mas a resposta foi negativa. O motivo, segundo ele, foi "o período eleitoral e a necessidade de contenção de gastos do Estado".
O Campo Grande News questionou o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, sobre a decisão. Ele afirmou que a continuidade dos repasses ainda está em estudo. "Ainda não temos definição qual conduta adotaremos. Estamos estudando os impactos para a tomada de decisão", respondeu.
Questionado sobre a possibilidade de as prefeituras bancarem os R$ 20 mil mensais para manter o horário ampliado, o presidente do Cosems disse que não seria viável. "Os municípios estão assoberbados, já assumem cerca de 70% dos custos da Atenção Primária à Saúde", finalizou.