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Gravidez precoce muda planos e renda de jovens no Brasil

Por O Sertão Notícias · · 3 min de leitura
Gravidez precoce muda planos e renda de jovens no Brasil
Mulher grávida durante atendimento de saúde (Foto: Divulgação/HU Brasil)

Uma jovem que viveu parte da infância e adolescência em Campo Grande precisou abandonar o sonho de seguir carreira na Aeronáutica depois que engravidou aos 18 anos. A história dela faz parte de uma pesquisa nacional sobre os efeitos da gravidez precoce nos estudos, no trabalho e na vida adulta.

O estudo “Marcas do Tempo – Gravidez na Adolescência e seus Impactos na Vida de Mulheres no Brasil”, feito pela Plan International Brasil, ouviu 1,5 mil mulheres de 19 a 29 anos em todas as regiões do país. Desse total, 300 tiveram gestação antes dos 20 anos, sendo que 9% moravam no Centro-Oeste. O levantamento não informa quantas eram de Mato Grosso do Sul, mas inclui o relato de uma moradora do estado.

Identificada pelo nome fictício de Mariana, a jovem tem hoje 26 anos. Ela viveu até os 8 anos com o pai e a avó em uma fazenda no interior de Mato Grosso do Sul e depois se mudou para a Capital para morar com a mãe. Quando criança, ajudava nas tarefas domésticas e cuidava da irmã mais nova enquanto a mãe trabalhava.

Mariana terminou o ensino médio aos 16 anos e passou dois anos se preparando para um concurso da Aeronáutica. No período, dormia cerca de duas horas por noite, se alimentava mal e fazia bicos para conseguir renda. Aos 18 anos, após perder 20 quilos e ter anemia severa, procurou uma unidade de saúde e descobriu a gravidez. Na mesma época, foi aprovada no concurso, mas não tinha dinheiro para viajar a São Paulo e fazer os exames presenciais. “E aí também eu fiquei grávida. E aí eu não fui, e aí tudo mudou”, contou aos pesquisadores.

Depois, Mariana retomou os estudos. Cursou Pedagogia com financiamento da empresa onde trabalha, foi promovida em 2024 e começou duas pós-graduações em 2026. Ela também se casou e se separou. Em 2022, passou por uma perda gestacional e recebeu acompanhamento psicológico pago pela empresa.

A pesquisa mostra que a gravidez precoce pode aprofundar dificuldades que já existiam na vida das adolescentes. No curto prazo, os efeitos incluem interrupção ou atraso nos estudos e maior dependência familiar e financeira. No médio prazo, aparecem problemas no mercado de trabalho, informalidade, baixa renda e isolamento. No longo prazo, o estudo aponta menor autonomia econômica e manutenção das desigualdades educacionais e profissionais.

Relatos de mulheres do Centro-Oeste indicam obstáculos para continuar na escola durante a gestação. Uma jovem negra de 23 anos contou que foi transferida para o período noturno depois de engravidar. “Foi muito difícil para mim e a escola diurna não estava me aceitando grávida. Então, me mandaram para o noturno”, disse. Ela teve dificuldade de adaptação por ser a mais nova da turma.

O levantamento também traz dados sobre a maternidade precoce no Brasil. Com base na PNAD Contínua de 2024, o país tem 17,4 milhões de mulheres entre 19 e 29 anos. Cerca de 6,4 milhões já têm filhos e, entre elas, aproximadamente 3,5 milhões tiveram o primeiro até os 19 anos.

Dados do Sinasc mostram que adolescentes de até 19 anos responderam por cerca de 12% dos nascimentos no Brasil em 2022. Entre as que engravidaram cedo, 68% eram pardas, 7% pretas e 2,3% indígenas. Em 2022, foram cerca de 14 mil casos de meninas de até 14 anos, o que representa 4,5% das gestações na infância ou adolescência. Aproximadamente 16% dessas meninas foram declaradas casadas ou em união estável.

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