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IHP pede mais estudos antes de aprofundar dragagem no Pantanal

Por O Sertão Notícias · · 3 min de leitura
IHP pede mais estudos antes de aprofundar dragagem no Pantanal
IHP pede mais estudos antes de aprofundar dragagem no Pantanal

O presidente do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Ângelo Rabelo, defendeu que a ampliação da dragagem na Hidrovia do Paraguai seja precedida por estudos técnicos mais aprofundados. A medida, segundo ele, é necessária para evitar impactos sobre o regime de inundações do Pantanal. A declaração foi feita durante o seminário "Horizontes da Economia Azul", promovido pelo Comando do 6º Distrito Naval da Marinha, no Bioparque Pantanal, em Campo Grande, nesta sexta-feira (10).

Rabelo considera a dragagem de manutenção necessária para garantir a navegabilidade. No entanto, ele afirma que intervenções destinadas ao aprofundamento do canal exigem critérios mais rigorosos, diante da crise hídrica enfrentada pelo bioma. "A dragagem de manutenção é necessária. Já a dragagem de aprofundamento precisa ser analisada de maneira muito cuidadosa, porque pode haver uma relação de causa e efeito com o regime de inundações", disse.

O presidente do IHP comentou as discussões realizadas na audiência pública sobre a concessão da hidrovia, em Corumbá. Segundo ele, ainda faltam estudos capazes de mensurar os possíveis impactos da dragagem de aprofundamento sobre a dinâmica do rio. "Estamos falando de um bioma extremamente sensível, que já enfrenta uma das maiores crises hídricas de sua história. Não podemos avançar sem critérios muito mais rigorosos e sem estudos adicionais", afirmou.

Rabelo ressaltou que o processo não pode ocorrer de forma precipitada. "Esse processo não pode ser feito de forma abrupta. Se isso acontecer, seremos contra", declarou. Embora tenha defendido cautela, ele reconheceu a importância da hidrovia para a economia regional e afirmou que é usuário do canal. Para ele, a manutenção da navegabilidade precisa caminhar ao lado da conservação ambiental.

O presidente do IHP lembrou que o rio Paraguai integra uma bacia internacional. Ele defendeu que qualquer decisão sobre sua gestão envolva os países vizinhos. "Não podemos tratar o rio apenas sob a perspectiva do Brasil. Essa discussão só faz sentido se nos sentarmos à mesa com o Paraguai e os demais países envolvidos", disse.

Rabelo também chamou atenção para a necessidade de investimentos permanentes na manutenção da hidrovia. Segundo ele, nos últimos 30 anos, houve pouca intervenção para preservar a navegabilidade. "O turismo já enfrenta restrições, e aumentam os acidentes com embarcações atingindo bancos de areia", alertou. O ambientalista ainda destacou a redução do espelho d'água no Pantanal e a perda de cobertura vegetal nas áreas de nascentes do Rio Paraguai.

Marinha defende construção conjunta de soluções

Durante o seminário, o comandante do 6º Distrito Naval, contra-almirante Emerson Augusto Serafim, destacou que a discussão sobre a Hidrovia Paraguai-Paraná deve envolver todos os segmentos ligados ao corredor logístico. Segundo ele, a complexidade das atividades exige a participação integrada do setor público, da iniciativa privada, da academia, de ambientalistas, do turismo e dos profissionais da navegação.

"O rio Paraguai-Paraná não pode ser discutido apenas por um ou dois atores. Pela multidisciplinaridade das atividades que acontecem ao longo da hidrovia, é fundamental que toda a sociedade esteja envolvida", afirmou Serafim. Ele disse que, ao reunir diferentes setores, é possível identificar problemas e construir soluções de forma conjunta.

Serafim lembrou que o seminário ocorre em um momento simbólico para a Marinha do Brasil. Em fevereiro de 2027, a instituição completará 200 anos de presença no Centro-Oeste. A trajetória, segundo ele, está ligada ao desbravamento da região e ao desenvolvimento econômico. "Discutir a hidrovia é discutir exatamente aquilo que a Marinha faz há mais de dois séculos: contribuir para o desenvolvimento da região de forma segura e sustentável", disse o comandante.

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