Mãe de bebê desaparecida em Campo Grande faz apelo: 'Sinto que ela está perto

Mais de 15 horas após o registro do desaparecimento de Ayla Emanuelly Pereira de Souza, de 28 dias, a família da recém-nascida seguia sem novas informações sobre o paradeiro da bebê. O grupo prestou depoimentos na Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) e foi liberado na noite desta sexta-feira (7), em Campo Grande.
A mãe de Ayla, de 17 anos, foi uma das últimas a deixar a delegacia. Na saída, ela falou com a reportagem e disse que acredita que o interesse de uma mulher pela filha possa ter motivado o caso. “Não sei se ela achou minha filha muito linda, porque todo mundo dizia, e ela é muito linda mesmo. Acho que ela tava de olho grande e eu tava me ligando, sabe? É isso. Eu acho que ela gostou da minha filha, achou ela muito bonita e por isso pegou”, afirmou.
Questionada se sentia que a filha estava perto ou longe, a jovem respondeu: “Eu sinto que ela tá perto, que eu vou encontrar ela. Eu sinto isso. E, se Deus quiser, nós vamos achar ela.” A adolescente também fez um apelo: “Nós estamos muito desesperados. Espero que encontramos ela. E eu amo muito a minha filha. E eu quero poder vê-la de novo.”
O boletim de ocorrência foi registrado às 5h55 desta sexta. O atendimento inicial ocorreu entre 4h10 e 4h21, depois que as duas irmãs voltaram sem Ayla durante a madrugada. No primeiro relato, a jovem disse que conheceu uma mulher pela internet que ofereceu R$ 100 para que ela cuidasse de uma criança. A mãe foi ao endereço com a irmã, de 12 anos, e levou a recém-nascida. As duas afirmaram que foram recebidas na região do Bairro Universitário.
No relato inicial, a adolescente disse que foi coagida a entregar a filha sob ameaça. As irmãs também afirmaram que havia cerca de dez homens no imóvel, além da mulher. Segundo elas, o grupo as deixou por volta da 1h em outro ponto da região, sem a bebê. Equipes percorreram o endereço indicado e ruas próximas, mas as duas não reconheceram os locais. O documento também informa que o celular da jovem de 17 anos teria sido levado.
Ao longo do dia, versões diferentes passaram a ser confrontadas. Informações apontaram que as irmãs teriam mudado os relatos e admitido que não houve sequestro. Uma das versões indicava que Ayla poderia ter sido entregue a uma mulher por causa de uma dívida. Os parentes contestaram essa interpretação. Uma cunhada do pai afirmou que a dívida seria do companheiro da mulher apontada pela família como responsável por ficar com a criança, e não do pai de Ayla. Segundo esse relato, a mulher teria se aproximado da adolescente durante a gravidez e demonstrado interesse pela filha ao longo dos meses.
O desaparecimento levou ao acionamento do Alerta Amber Brasil durante a tarde. O MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública) emitiu o aviso para ampliar a divulgação da imagem e das características de Ayla. O sistema é usado em casos recentes de desaparecimento de crianças e adolescentes quando há indícios de risco de morte ou lesão grave. Os avisos podem ser exibidos no Facebook e Instagram para pessoas em um raio de até 160 quilômetros do último ponto onde a criança foi vista.
Ayla tem cabelos castanho-escuros e curtos. Quem tiver informações sobre o paradeiro da recém-nascida pode acionar a polícia pelo telefone 190 ou entrar em contato pelo número (67) 3323-2508.