O 30º Encontro dos Profetas da Chuva aconteceu no sábado, 10 de janeiro, no Instituto Federal do Ceará (IFCE), em Quixadá, a cerca de 148 quilômetros de Fortaleza. O evento reuniu profetas, agricultores, pesquisadores e visitantes de várias partes do Nordeste para discutir as expectativas para a quadra chuvosa de 2026 e celebrar uma tradição que faz parte da cultura sertaneja há gerações.
Neste ano, as previsões dos profetas indicam que o inverno será considerado de fraco a intermediário, com uma expectativa maior de chuvas nos meses de março, abril e maio. Apesar de alguns participantes serem mais pessimistas, há um consenso sobre a chegada de chuvas significativas nesse período.
Helder Cortez, um dos organizadores do encontro, destacou a importância de fazer previsões com cautela. Ele explicou que a maioria dos profetas não espera um inverno bom, mas sim uma regularidade sem grandes excessos. Aurélio Leal, 78 anos e profeta há 15, expressou uma visão mais conservadora. Ele mencionou que as chuvas devem começar a partir do final de fevereiro, com março sendo o mês mais chuvoso.
Por outro lado, Jocerlan Guedes, de 56 anos e radialista de Bom Jesus, na Paraíba, trouxe uma perspectiva mais otimista, afirmando que espera um inverno regular, com boas colheitas e uma recuperação das fontes de água.
Durante o encontro, a vice-governadora do Ceará, Jade Romero, ressaltou a relevância cultural do evento, desejando que as previsões apontem para um inverno favorável que assegure água para a população do semiárido. O secretário de Recursos Hídricos do estado, Fernando Santana, também comentou que o governo tem investido em infraestrutura para reduzir a dependência das chuvas, citando projetos como o Malha d’Água e o Cinturão das Águas, que levam água da transposição do Rio São Francisco para diferentes regiões.
A tradição dos profetas da chuva é passadas através das gerações, com cada profeta aprendendo técnicas de previsão de seus antecessores. Helder Cortez enfatizou que essa sabedoria popular é tão valiosa quanto a tecnologia, e que sinais naturais, como o canto de rãs e o comportamento de certos animais, são fundamentais para essas previsões.
Uma das homenagens mais emocionantes do encontro foi para a profetisa Lurdinha, que morreu no ano anterior, aos 97 anos. Cada profeta homenageado tem sua história registrada em uma árvore plantada no Jardim dos Profetas, um espaço dedicado no IFCE.
O evento ainda contou com uma feira de artesanato e produtos da agricultura familiar, que atraiu muitos visitantes. A aposentada Nenê de Oliveira elogiou a feira, que além das previsões, oferece uma oportunidade de conhecer e degustar produtos locais. Entre os expositores, o agricultor Francisco Tadeu Barro Silveira trouxe sementes crioulas e mel, destacando a importância de preservar essas sementes tradicionais, que são parte da identidade da vida no campo.