Só temos o hoje: como viver o presente sem abandonar os sonhos

Em artigo publicado no Campo Grande News, a psicóloga Cristiane Lang reflete sobre a tendência humana de viver entre o passado e o futuro, negligenciando o presente. Segundo ela, passamos grande parte da vida em "lugares que não existem": o passado, que não pode ser alterado, e o futuro, que ainda não aconteceu.
A autora afirma que sonhar e planejar são atos humanos e necessários, mas alerta que o problema não está em olhar para frente, e sim em esquecer de viver enquanto se olha. Ela descreve o futuro como "uma promessa que ninguém assinou" e o passado como "um livro já impresso", imutável como uma fotografia.
Lang questiona quantas pessoas fizeram planos para dias que nunca chegaram, adiando a felicidade para quando certas condições fossem atendidas. "A vida, silenciosa, foi passando entre um 'quando' e outro", escreve.
A psicóloga defende que o presente é o único dia em que é possível mudar uma escolha, dizer o que sente ou descansar sem culpa. Ela ressalta que viver o agora não significa abandonar sonhos, mas entender que o futuro é construído com ações do presente. "O futuro é construído com tijolos chamados hoje", afirma.
Para Lang, aceitar a incerteza do futuro traz liberdade, pois elimina o peso de tentar controlá-lo. Ela sugere que a vida não está em grandes momentos futuros, mas sim nos dias comuns e nas pequenas decisões. O passado, segundo ela, deve ser visto como professor, o futuro como inspiração, e o presente como morada.
A autora conclui que a felicidade pode não estar em chegar a um destino distante, mas em aprender a não abandonar o dia que está acontecendo. "Respire este dia, habite este momento, trate este hoje como algo raro — porque ele é", finaliza.
Cristiane Lang é psicóloga.