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Sonho do carro zero vira pesadelo de 3 anos para mulher com dor crônica

Por O Sertão Notícias · · 2 min de leitura
Sonho do carro zero vira pesadelo de 3 anos para mulher com dor crônica
Rose realizouum sonho a comprar o carro, mas hoje vive pesadelo (Foto: Direto das Ruas)

A aposentada Rose Mary Saltiva Salomão, que tem quatro cirurgias na coluna e convive com dor crônica, comprou um carro zero-quilômetro para ter mais independência. O veículo escolhido foi um Hyundai Creta 1.0 TGDI automático, necessário para que ela pudesse continuar dirigindo e fazendo seus tratamentos médicos. Poucas semanas depois da compra, porém, o automóvel começou a apresentar defeitos.

Três anos após adquirir o carro, Rose ainda espera o fim de uma disputa judicial para receber o dinheiro de volta. Ela afirma que perdeu a autonomia e passou a depender de terceiros para atividades simples do dia a dia. “Foi um investimento de uma vida inteira. Eu sou PCD e não tenho condições de dirigir outro carro. Comprei esse veículo com muita dificuldade e ele veio com problema”, disse.

Segundo a consumidora, os defeitos começaram logo nos primeiros dias. O carro foi levado várias vezes à concessionária para reparos, mas os problemas continuaram. Em março deste ano, a 6ª Vara Cível de Campo Grande reconheceu que o automóvel teve panes elétricas e interrupções no motor durante a garantia. O juiz Deni Luis Dalla Riva destacou que o veículo ficou parado para reparos por 93 dias, mais que o prazo de 30 dias do Código de Defesa do Consumidor.

Na decisão, o juiz determinou a rescisão do contrato de compra e venda, o cancelamento do financiamento e a devolução dos valores pagos, incluindo a entrada de R$ 96,3 mil e as parcelas quitadas. Também foi fixada indenização por danos morais de R$ 10 mil. Para Rose, o maior prejuízo não foi financeiro. “Eu perdi três anos da minha vida. Deixei de buscar minha filha na escola, de levar meus pais para onde precisavam ir”, afirmou.

Ela explicou que convive com dor crônica de três cirurgias lombares e uma cervical. Recentemente, implantou um neuroestimulador para controle da dor. O carro automático era uma necessidade, pois ela dirige com apenas uma perna. Sem o veículo, passou a depender de Uber e de ajuda de terceiros.

No processo, a concessionária Ulsan Comércio de Veículos Ltda. disse que não houve falha nos serviços e que prestou assistência durante a garantia. O Banco Hyundai Capital Brasil S.A. argumentou que não poderia ser responsabilizado por defeitos do veículo. O juiz, porém, concluiu que os documentos e o laudo pericial comprovaram os defeitos e que as panes representavam risco à segurança.

Enquanto aguarda o fim da disputa, Rose acompanha o processo diariamente. “Todo dia eu entro para ver se teve alguma novidade. Eu só quero receber o que a Justiça já reconheceu”, disse.

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