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Supremacistas saíram do armário, diz Angela Davis

Por O Sertão Notícias · · 3 min de leitura

Em visita ao Brasil pela décima vez, a escritora e ativista Angela Davis, uma das principais referências do feminismo mundial, concedeu entrevista no Rio de Janeiro antes de sua participação na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Davis estará no evento no próximo sábado (25), às 18h, no Sesc Caborê, para uma plateia com capacidade para 700 pessoas.

Ao lado da acadêmica Gina Dent, sua companheira de vida e projetos, Davis escreve um livro sobre jazz e defende o fim do sistema carcerário. Em suas declarações, ela afirmou que o trumpismo não representa o que a maioria da população dos Estados Unidos está sentindo. Para a ativista, a supremacia branca não está em ascensão: “Eles apenas saíram do armário”.

Questionada sobre como responde a quem teme que a abolição das prisões minimize o sofrimento de vítimas de crimes violentos, Davis disse que a justiça transformativa presta atenção às necessidades da vítima e também às condições sociais que levam as pessoas a agir de forma violenta. Ela classificou como perigoso o uso de reconhecimento facial, inteligência artificial e algoritmos preditivos na segurança pública, afirmando que a base dessas tecnologias é o racismo estrutural.

Davis comentou o fracasso do movimento “Defund the Police” em obter apoio público duradouro. Para ela, o movimento foi prejudicado por intervenções conservadoras, mas as bases foram lançadas. Ela citou comunidades que se levantaram contra o ICE em Minnesota e Chicago como exemplo de que o desejo de criar uma democracia real e se posicionar contra o racismo não foi destruído pelo governo Trump.

Sobre a influência da supremacia branca na política americana, a ativista afirmou que ela faz parte da história dos EUA, mas que dizer que o presidente representa a grande maioria do país é falso. Ela lembrou que, no ataque ao Congresso em 2021, os envolvidos representavam cerca de um quarto da população. Davis atribuiu o retorno de Trump ao fato de muitas pessoas terem deixado de votar.

Em relação à causa palestina, Davis disse que se solidarizar com ela não significa abrir espaço para o antissemitismo. Ela afirmou que a tentativa de equiparar os dois é uma tática usada por conservadores. A ativista citou pesquisas nos EUA que indicam que a maioria da população se inclina mais para a solidariedade palestina do que para o Estado de Israel.

Davis também comentou as decisões da Suprema Corte dos EUA que restringiram ações afirmativas e revogaram proteções ao aborto. Ela disse que a maioria da população acredita no direito ao aborto, mas que a Corte foi escolhida por Trump. Para ela, grandes viradas políticas nunca vieram de um presidente, mas de pessoas que marcharam nas ruas e se organizaram.

Perguntada sobre a maior fraqueza do movimento progressista atual, Davis afirmou que o problema é a falta de organização. Ela disse que as possibilidades existem, mas que ainda não foram encontradas as formas organizacionais para dar expressão a esses sentimentos políticos. A ativista relacionou essa dificuldade à ascensão dos bilionários e à concentração de riqueza em níveis nunca antes vistos na história.

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