
O cenário global do terrorismo passa por mudanças ligadas a questões geopolíticas, tecnológicas e regionais. Hoje, o fenômeno se manifesta por meio do extremismo fundamentalista, com grupos que usam interpretações radicais da religião para justificar a violência, principalmente no Oriente Médio e em partes da África. Há também vertentes ideológicas, como grupos de supremacia branca e extrema direita, além do terrorismo político e separatista, que busca desestabilizar governos ou conquistar independência territorial. Outro ponto é a apropriação de bens públicos, com a infiltração de organizações criminosas em estruturas governamentais. Estima-se que facções como PCC e CV tenham mais de R$ 10 bilhões em seus cofres.
As regiões mais atingidas incluem a África Subsaariana, considerada um dos principais centros da atividade terrorista global, concentrando a maioria dos países afetados por milícias e grupos insurgentes. Na Ásia Meridional, o Paquistão lidera historicamente os índices de incidentes e fatalidades. O Oriente Médio segue como área de tensão constante, com grupos armados e governos envolvidos em financiamento ou sofrimento com a instabilidade. No Brasil, a tendência é de queda, ao contrário de países ocidentais, que registram aumento da violência por causa de polarização política, islamofobia e antissemitismo.
No ano passado, o país teve cerca de 42.500 assassinatos, uma redução de mais de 7% em relação ao ano anterior. Apesar disso, a desigualdade regional permanece. Estados das regiões Norte e Nordeste, como Amapá, Bahia e Ceará, ainda apresentam taxas de homicídios bem acima da média nacional.
Os governos ocidentais têm usado forças de segurança e mecanismos de controle para combater o crime organizado. A pergunta que fica é se essas estratégias são capazes de conter a expansão das organizações terroristas ou se seria necessário outro olhar para o problema.
Em 2006, ao receber o Prêmio Nobel da Paz, o economista Muhammad Yunus, criador do Grameen Bank e pioneiro do microcrédito, trouxe uma reflexão que continua atual. Para ele, o terrorismo não pode ser derrotado apenas com armas. É preciso condená-lo com firmeza moral e política, mas também enfrentar as causas profundas da violência. A experiência das últimas décadas mostra que os aparatos militares, sozinhos, não erradicaram o terrorismo. Em muitos casos, ações bélicas geraram novos ressentimentos e ampliaram o ciclo de ódio, criando espaço para o crescimento de grupos extremistas.
O combate militar é necessário para proteger populações e impedir crimes, mas é apenas parte da solução. Yunus defende que a verdadeira paz nasce do desenvolvimento humano. Pobreza extrema, falta de perspectivas, exclusão social e ausência de educação criam condições para o recrutamento de jovens por organizações terroristas. Miséria e desigualdade são o ambiente em que o fanatismo e a violência encontram terreno.
Isso não significa justificar o terrorismo. Nada justifica o assassinato de inocentes ou o ódio religioso. A ideia é reconhecer que a repressão, sem políticas sociais e sem oportunidades econômicas, produz resultados limitados. Sociedades mais inclusivas, com melhores indicadores de educação e renda, tendem a ter menos extremismo violento. Investir em escolas, saúde, empregos e combate à pobreza pode ser tão importante para a segurança mundial quanto investir em equipamentos militares.
A mensagem de Yunus ganha relevância em um momento de conflitos no Oriente Médio, na África, na Ásia e em países ocidentais. O terrorismo contemporâneo não tem fronteiras e se alimenta das redes digitais, da polarização ideológica e das frustrações sociais. A segurança não se constrói apenas com tanques e mísseis, mas com a esperança oferecida às pessoas. Uma criança na escola, um jovem com trabalho e uma família com dignidade são vitórias silenciosas contra a intolerância.
As armas podem destruir terroristas, mas apenas a justiça social pode destruir as raízes do terror. A paz não é só a ausência de guerra, é a presença da dignidade humana. Essa pode ser a mais poderosa estratégia de segurança que a humanidade ainda precisa colocar em prática.