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Xodós dos anos 70 viram "máquina de fazer amigos

Por O Sertão Notícias · · 3 min de leitura
Xodós dos anos 70 viram "máquina de fazer amigos
Rogério Leite não troca o fusca de 1972 por nada e acha que conforto é coisa para hora de dormir na cama (Foto: Juliano Almeida)

Rogério Leite, 43 anos, e Amauri de Moraes, 53, não trocam seus carros antigos por modelos novos. Para eles, o prazer de ter um veículo antigo supera a tecnologia e o conforto dos carros atuais. Na visão dos dois, carro antigo não é só veículo, é uma "máquina de fazer amigos".

"Isso é fábrica de fazer amigos. Se eu parar com carro novo ninguém vai conversar comigo. Onde eu paro faço amizade", diz Amauri. Rogério concorda: "Eu não troco nenhum por carro novo de jeito nenhum. Conforto a gente tem na cama".

Os carros fazem parte da rotina, da família e da identidade dos dois. Eles não ficam guardados para exposição. Os dois circulam com eles pela cidade, levam filhos para a escola, vão ao mercado e participam de encontros e churrascos.

Rogério e Amauri estavam no 2º Encontro de Carros Antigos do Rancho do Galo, na MS-010, saída para Rochedinho. O evento aconteceu na manhã deste sábado (27) e durou até a tarde.

Rogério vive essa experiência com o Herbie, um Fusca 1972 que ele comprou depois de o carro ficar um tempo abandonado. "Chamei ele de Herbie. O carro tem peças originais de fabricação, assoalho original de fábrica e motor 1300", conta.

A aparência envelhecida foi pensada. Rogério lixou, pintou e envernizou partes do carro para deixar a lataria com cara de antiga. "Eu descasquei tudo para enferrujar. Quis mostrar que ele é original, que ele está na lata, que não foi muito batido na vida", explica.

Apesar da cara de relíquia, o Fusca não vive parado. Rogério usa o carro no dia a dia para ir ao mercado, levar os filhos à escola e comprar material de trabalho. A paixão vem desde criança. O primeiro carro dele foi um Opala 1983. Depois vieram Chevette 1983, Elba 1991 e Uno 1996. Hoje, além do Herbie, ele tem uma Belina 1990, uma Caravan 1990 e outros Fuscas.

"Um azul, batizado de Capitão América. Outro vermelho, chamado Coca-Cola, com motor 1600. A Caravan entrou há pouco na coleção, depois de passar 25 anos parada", afirma.

O gosto, segundo Rogério, vem de família. O pai tinha uma Belina, o tio tinha um Corcel, e os filhos já sonham com modelos como Chevette e Opala. "Vai passando de geração em geração", diz. Ele faz parte dos "Lendários", grupo que se reúne em praças, eventos e churrascos. "Temos uma amizade que chegou a se tornar uma família", afirma.

Amauri conhece bem esse sentimento. "Eu nasci dentro de um carro velho. Meu pai tinha Opala, Caravan, Fusca. Fui crescendo dentro deles. Veio de berço", conta. Na garagem dele há uma Caravan, um Opala, um Fusca, outro Chevette e uma C10. O preferido é o Chevette 1976, com mecânica de Opala 6 cilindros, motor e câmbio modificados. No fim do ano passado, passou por reforma.

"Ele é minha cara esse carro. Meu negócio é ele". O Chevette tem um "bercinho", feito a partir da carroceria de uma Marajó, onde Amauri dorme nos eventos. "Tem um ano e meio que tenho esse bercinho. Um amigo fez o dele e fez para mim", relata. Amauri instalou um som potente no carro, "para incomodar os outros". "Não troco por nada o meu. Nem se me pagasse. Os novos não têm graça", resume.

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