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Abelhas nativas sem ferrão ajudam na polinização de mangueiras

2ª Expedição do Projeto Pollinova Fortalece Polinização em Manga no Sertão de Pernambuco

No início deste mês, foi realizada a 2ª expedição do Projeto Pollinova, uma iniciativa aprovada pelo edital “Pernambucanas Inovadoras”, apoiado pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe). O evento ocorreu na Agrodan Roriz Dantas, a maior exportadora de mangas do país, localizada em Belém do São Francisco, no Sertão de Itaparica. O objetivo principal da expedição foi melhorar a polinização dos pomares de manga por meio da introdução de abelhas nativas sem ferrão.

O Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), participou da expedição com a ecóloga Aline Andrade e a coordenadora do projeto, professora Patrícia Nicola. Durante a ação, foram instaladas caixas racionais que abrigam colônias de pelo menos cinco espécies diferentes de abelhas nativas sem ferrão. Essa iniciativa visa aumentar a eficiência da polinização nos pomares de manga, essencial para a produção agrícola.

A equipe contou também com a presença do meliponicultor Ramon Bezerra, do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), e da agrônoma Maira Almeida, gestora técnica da Agrodan. Juntas, as equipes se concentraram na implementação das colônias e no planejamento do monitoramento das abelhas, tanto nas caixas quanto em campo.

O acompanhamento das colônias será realizado por meio de sensoriamento remoto. Dispositivos irão registrar e transmitir, em tempo real, informações sobre a atividade das colônias, o comportamento das abelhas e as condições ambientais. Esses dados serão enviados a uma plataforma digital desenvolvida para esse propósito. A tecnologia utilizada foi criada por uma equipe liderada pelo professor Max Santana, do curso de Engenharia de Sistemas Computacionais da Univasf, e sócio fundador da startup Melissa.

A ecóloga Aline Andrade destacou que a expedição marca um avanço importante na combinação de ciência, tecnologia e manejo sustentável. Ela ressaltou a importância das abelhas nativas sem ferrão para a produtividade agrícola e para a preservação da Caatinga. “Cada espécie introduzida oferece um serviço ecossistêmico essencial. O projeto, que une pesquisa, inovação e prática de campo, ajuda a entender como apoiar sistemas produtivos de maneira ambientalmente responsável, utilizando tecnologia para melhorar a polinização, crucial para a fruticultura irrigada do Vale do São Francisco”, afirmou Aline.

O monitoramento ocorrerá durante todo o período de floração, permitindo que pesquisadores, técnicos e gestores observem a atividade das abelhas e o impacto direto na produção de mangas.

Sustentabilidade

A professora Patrícia Nicola, coordenadora do Cemafauna, destacou que a iniciativa sublinha a importância dos polinizadores nativos na sustentabilidade da fruticultura no semiárido. Ela afirmou que as interações entre plantas e polinizadores são fundamentais para manter a funcionalidade ecológica. “Projetos como este mostram como a pesquisa aplicada pode gerar soluções biotecnológicas que beneficiam tanto a produção agrícola quanto a conservação da biodiversidade, especialmente em regiões vulneráveis às mudanças climáticas”, concluiu Patrícia.