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Acidentes com antas crescem 1.000% e matam 51 em MS

Por O Sertão Notícias · · 3 min de leitura
Acidentes com antas crescem 1.000% e matam 51 em MS
Anta atropelada na MS- 040, uma das rodovias com maior número de colisões com fauna em MS (Foto: Direto das ruas)

As colisões entre veículos e animais silvestres nas rodovias de Mato Grosso do Sul têm causado mortes tanto de animais quanto de pessoas. De acordo com a Incab (Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira), 51 pessoas morreram em acidentes com antas nas estradas do estado nos últimos 13 anos. Os dados fazem parte do Mapa de Colisões com a Fauna, iniciativa do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) em parceria com o Observatório Rodovias Seguras para Todos.

O levantamento aponta que os acidentes envolvendo antas subiram de cinco, no primeiro trimestre de 2025, para 58 nos três primeiros meses de 2026, um aumento superior a 1.000%. No total, as colisões com animais nas estradas do estado cresceram 69% no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano anterior.

As antas ocupam a nona posição entre as espécies com mais ocorrências, mas os acidentes com esses animais tendem a ser mais graves. Por ser o maior mamífero terrestre da América do Sul, podendo chegar a 300 kg, o impacto com uma anta costuma causar danos materiais severos e mortes. A bióloga e coordenadora da Incab, Patrícia Medici, afirma que a colisão com o animal geralmente resulta em perda total do veículo e, nos casos mais graves, em óbitos humanos.

Um exemplo ocorreu no dia 3 de agosto, quando uma adolescente de 13 anos e um homem de 38 anos morreram em um acidente na BR-267, entre Rio Brilhante e Maracaju. O carro em que estavam atingiu uma anta na pista, o motorista perdeu o controle, invadiu a pista contrária e bateu de frente com um caminhão carregado com etanol. Os dois veículos pegaram fogo.

Pontos críticos e espécies mais atingidas

O tatu-peba lidera o ranking de animais vitimados nas rodovias de Mato Grosso do Sul, com 1,8 mil registros nos últimos 13 anos. Na sequência aparecem aves e cachorro-do-mato, com 1,4 mil ocorrências cada, seguidos por tatu-galinha e jacaré-do-pantanal, que ultrapassam 700 casos. O levantamento inclui ainda tamanduá-bandeira, capivara e tamanduá-mirim, com mais de 500 registros cada, além da anta (333) e da seriema (quase 300).

A BR-262 é a rodovia com maior número de colisões, acumulando 8,1 mil acidentes. As rodovias BR-267 e MS-040 aparecem em seguida, com mais de 2 mil ocorrências cada uma. Segundo o Observatório Rodovias Seguras para Todos, esses trechos concentram grande biodiversidade, mas as espécies correm risco de desaparecimento por causa dos acidentes.

Ação humana e soluções

A degradação ambiental no Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica é apontada como a principal causa do problema. A expansão da agricultura intensiva, da silvicultura e os incêndios florestais reduziram a vegetação nativa a pequenos fragmentos isolados. Patrícia Medici explica que, sem áreas contínuas de habitat, os animais circulam por paisagens alteradas e acabam cruzando as rodovias, ficando expostos e vulneráveis.

A bióloga afirma que já existem soluções consolidadas para prevenir os acidentes, como o mapeamento de trechos críticos, cercamentos e passagens de fauna. Estudos do instituto de pesquisa da ONG Pew Charitable Trusts indicam que cercas direcionadoras combinadas com túneis sob a pista podem reduzir os acidentes em até 80%. “Os dados a gente já tem, o conhecimento técnico sobre as medidas mais adequadas a gente já tem, os planos de mitigação para as rodovias com maior risco de colisões veiculares com antas nós já temos”, conclui Patrícia.

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