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Aula no Pantanal: bicudo no algodão e capivara na cana

Por O Sertão Notícias · · 3 min de leitura

Uma aula prática no Pantanal Tech, em Aquidauana, revelou os desafios enfrentados por pesquisadores da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) na agricultura experimental. O professor Dr. Matheus Gustavo da Silva iniciou a atividade mostrando uma planta de algodão e os danos causados pelo bicudo, praga considerada uma das principais ameaças à cultura no Brasil.

"Todo mundo que planta algodão no Brasil sabe que a principal praga é o bicudo", afirmou o professor, enquanto apontava a perfuração no botão floral. Segundo ele, o inseto se aloja nas brácteas e destrói a estrutura que formaria o capulho. "Ao invés de você ter um capulho bonito, tem isso aqui", disse.

O algodão permanece cerca de 210 dias no campo e exige manejo complexo, com controle de pragas, doenças e monitoramento do desenvolvimento da planta. Matheus explicou que fatores como sombreamento, fisiologia e ecofisiologia também afetam a produção, podendo causar perda de botões florais.

Para os alunos, a experiência funciona como uma aula prática sobre a realidade dos produtores. O professor destacou que os orientados saem preparados por acompanharem o trabalho de perto, em uma rotina que vai além da sala de aula. "Eu falo: vocês têm medo de sol? Têm sábado e domingo que não querem trabalhar? Se for esse o caso, comigo já não é o caso", contou.

Além do algodão, o grupo trabalha com cana e soja. Em Aquidauana, porém, o maior desafio nem sempre está no solo, no clima ou nos insetos. Matheus relatou que a cana plantada na área experimental foi atacada por capivaras, que comeram parte das plantas e obrigaram a equipe a nivelar novamente a área para refazer o experimento. "A gente teve problema de ataque aqui de capivara. Elas comeram bastante, aí a gente teve que nivelar ela de novo para estar refazendo o experimento", disse.

As capivaras não são as únicas visitantes indesejadas. Antas também passam pela área e causam prejuízo ao entrar no meio da lavoura e quebrar as plantas. "Aqui o principal problema é capivara e anta. A anta quebra, entra no meio e vai quebrando tudo", afirmou.

O milho é uma cultura ainda mais complicada de manter. O professor explicou que tatus podem comer os grãos no plantio. Depois, capivaras, antas e veados atacam as plantas jovens. Mais tarde, maritacas, papagaios e anus consomem os grãos na formação da espiga. "Plantar a gente planta, só que aí o que acontece? Você tem tatu que come o milho quando põe o grão no solo. Você tem capivara, anta, veado, que vêm na hora que o milho está saindo e comem. Depois, quando o milho floresce, forma a espiga, vêm as maritacas, papagaio, anu, comem tudo", explicou.

Por isso, o algodão se tornou uma escolha estratégica para os experimentos. Apesar do manejo complexo e da praga do bicudo, a cultura não atrai animais silvestres. "A gente plantou algodão justamente porque animal silvestre não vai comer algodão. Para a gente foi bom por essa perspectiva de conseguir conduzir um experimento do começo ao fim", disse.

A soja, segundo o professor, sofre menos impacto desse tipo quando cultivada em áreas maiores, como as de parceiros em Jaraguari, Dois Irmãos e Miranda. Nesses casos, os animais podem atingir as bordaduras, mas os experimentos ficam no centro das lavouras, o que reduz as perdas.

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