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Brazil Antonia prays for plants that failed in barren lands

Brazil Antonia prays for plants that failed in barren lands

O jardim de dona Antônia Marques ficou pequeno para o quintal. Aos 89 anos, ela espalhou vasos, flores e folhagens pela calçada e transformou a esquina onde mora, no Bairro Caiçara, em um dos trechos mais verdes da vizinhança.

Entre uma regada e outra, o corredor verde cresceu e virou parte da paisagem do bairro, a ponto de virar motivo de oração. “É minha vida. Gosto de cada uma delas e até faço oração pra elas”, diz.

O jardim ultrapassou os limites do quintal há muito tempo. Hoje, parte das plantas ocupa a própria calçada, resultado da dedicação da aposentada, que faz questão de cuidar pessoalmente de cada cantinho verde. “Toda vida eu gostei de planta. Gosto do verde, gosto de flores, dessas coisas”, resume.

Natural de Ouricuri (PE), no sertão de Pernambuco, dona Antônia chegou a Campo Grande há cerca de 60 anos. Mas a paixão pelas plantas nasceu muito antes. O problema é que, onde cresceu, cultivar um jardim era quase um luxo. “Lá não tinha água. A água era pouca demais, não dava para ter planta. Era muito seco”, recorda.

Foi só depois da mudança para Mato Grosso do Sul que ela conseguiu colocar em prática o gosto pelo cultivo. Primeiro nas fazendas onde morou e, mais tarde, na casa onde vive há 50 anos. “Desde que eu cheguei aqui, eu comecei a plantar. Tenho meus vasos, mas planto na rua também”, conta.

O trabalho é diário, mas ela não reclama. Pelo contrário. “A gente não tem nada sem trabalho”, afirma.

Entre vasos, árvores e folhagens, a passagem ao lado da casa parece um pequeno corredor verde no meio da cidade. A aposentada, que fala das plantas com entusiasmo, diz que cuidar delas faz parte da rotina diária. O jardim, que ultrapassou os limites do quintal e tomou conta da calçada, se tornou um ponto de destaque na vizinhança.