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Brazil Behind the Clown Makeup, a Double Duty for Mom Performers

Entre as várias faces de uma mãe, uma delas usa um tipo de maquiagem que muitos julgariam como estranha. Ali não tem grandes sombras da moda ou delineados arrasadores. No lugar disso estão os cílios marcados, o blush marcado e o batom típico de quem faz os outros rirem. Para as mães que vivem da palhaçaria, a arte de ser “inabalável” fica ainda mais complicada. Mesmo assim, elas sustentam o humor mesmo quando não há motivos para alegria.

Essa parcela de mulheres veste “máscaras” não só porque gosta, mas porque acredita que o riso salva. É assim com Alessandra Tavares, a palhaça Cerejinha. Ainda na faculdade de Teatro, Cinema e Televisão, em São Paulo, ela começou uma pesquisa sobre os palhaços e o circo e nunca mais largou.

Desde 2011, em Amambai, interior do Estado, ela encanta festas, eventos e inúmeras crianças com truques, maquiagens e a essência do palhaço. Hoje ela é diretora de cultura da cidade, mas nunca abandonou o ofício. Inclusive, sempre leva a filha Giselle Elis, de 5 anos, com ela para as apresentações.

“Ser mãe e ser palhaça caminham muito juntos pra mim. As duas experiências me atravessam de forma intensa, sensível e verdadeira. A maternidade me deixou mais humana no palco, mais atenta ao cuidado, à escuta e às emoções. E a arte também me ajuda a ser uma mãe mais leve, criativa e presente. Nem sempre é fácil conciliar tudo. Existem cansaços, culpas e desafios, mas também existe muito amor e propósito”, disse Alessandra.

Ela explica que, para ela, ser palhaça é transformar a humanidade em encontro. “A palhaça carrega riso, mas também carrega escuta, afeto e verdade. Ser uma nunca foi sobre vestir um personagem para esconder quem eu sou. Pelo contrário, a palhaça é o meu lado mais íntimo, mais humano e mais verdadeiro”, afirmou.

Para Alessandra, existe uma coisa muito forte na visão das pessoas sobre quem trabalha fazendo os outros rirem: a ideia de que a alegria constante nelas é real. “Elas acham que quem leva alegria vive sempre alegre. Mas não é assim. Às vezes, justamente nos dias mais difíceis, a arte vira resistência”, disse.

Quem também vive as dores e delícias da palhaçaria e da maternidade é Maria Milena Sato, de 27 anos. A palhaçaria foi a primeira linguagem circense que ela atravessou. “Foi através dela que comecei a entender minhas fragilidades, meus excessos e até meus silêncios”, disse.

Ela explica que ser mãe solo transformou completamente a forma de criar, trabalhar e existir no mundo. “Muitas vezes precisei ensaiar cansada, criar entre as demandas da rotina e aprender a produzir enquanto cuidava de uma criança”, afirmou.

Todas essas questões aparecem no espetáculo solo dela chamado “Uma Mãe pelo Avesso”, que nasceu da vontade de falar sobre uma maternidade real. “Conciliar a criação do espetáculo com a maternidade foi um grande desafio, mas também parte essencial do próprio processo criativo”, disse.

Entre o nariz vermelho, as apresentações em escolas e as festas em assentamentos, a palhaça Seriema também aprendeu a sobreviver fora do palco. Aos 54 anos, Marta Alves Guimarães de Souza Santos carrega na personagem muito mais do que humor. “A palhaçaria representa resistência”, resume.

Ser mãe, conta Marta, sempre foi seu maior sonho. A primeira gravidez veio depois de cinco anos de tentativas e foi marcada por complicações graves. Após muito cuidado, nasceu Henry, prematuro de oito meses. Dois anos depois, a segunda gestação parecia tranquila até a ruptura da bolsa amniótica no quarto mês e meio. Após uma hemorragia grave, o parto precisou ser induzido aos cinco meses e meio. A bebê sobreviveu por 30 dias na UTI neonatal.