Dezenas de pessoas se reuniram neste sábado (30) para o “velório em vida” do advogado Thiago Pittan, diagnosticado com um câncer agressivo. O evento, que aconteceu em Campo Grande, foi uma celebração da existência dele, com direito a coroa de flores, banner para fotos e camisetas feitas especialmente para a homenagem.
Thiago escolheu encarar a doença de forma pouco convencional. Em vez de esperar homenagens póstumas, quis ouvir agora o carinho dos amigos, abraçar quem ama e viver intensamente cada instante. Durante a festa, ele cantou, sambou, posou para fotos e conversou com todos os presentes.
“Olha para essa festa, as pessoas estão aqui celebrando não só a minha vida, mas celebrando a vida. Não tem coisa mais bonita que isso”, comentou Thiago. Segundo ele, a reação das pessoas foi muito diferente do estranhamento que imaginava encontrar. “Eu achei que ia ter muito estranhamento, mas recebi uma chuva de afeto e carinho. As pessoas se sentiram inspiradas. Vamos curtir a vida, vamos aproveitar a vida, vamos viver”, disse.
Ao falar sobre a própria doença, Thiago fez questão de mudar a perspectiva. “Muita gente me pergunta: ‘Como é estar morrendo?’. Eu não sei, porque eu não estou morrendo, eu estou vivendo. Eu vou morrer uma vez só. A gente está vivendo todos os dias. Vamos viver”, destacou.
A emoção tomou conta da família. O irmão, Pablo Martins Pittan, disse que ainda está processando o momento, mas que celebra a vida de Thiago. “Ele sempre foi meu herói. Agora, além de herói, é um mentor pela reação dele a esse momento tão difícil. Tem muita gente que se entrega para essa doença, muita gente que acorda reclamando da vida, e vê uma pessoa assim. Esse legado que ele está deixando eu consigo admirar”, afirmou.
Entre os amigos, o sentimento era de um reencontro raro. Amigo de Thiago há cerca de 20 anos, Álvaro Marzochi disse que a iniciativa mudou a forma como ele enxerga despedidas. “A gente só encontra as pessoas quando elas morrem. O Thiago subverteu isso de uma forma muito bonita. Está sendo um reencontro com a vida. O maior impacto que isso causou em mim foi essa vontade imensa de viver”, relatou.
A amiga Emanueli Ribeiro, que conhece Thiago há 26 anos, lembrou do sentimento de proteção que sempre recebeu dele. “Uma vez passei por um apuro em uma viagem e ele me defendeu. Nunca tinha me sentido tão protegida na vida. O Pittan despertou isso nas pessoas”, contou.
O amigo Paulo Donato definiu a ideia do “velório em vida” como genial. “Adianta eu estar morto e todo mundo falar que eu era legal? Fala isso para mim em vida”, resumiu. Ele também ajudou a criar uma camiseta em homenagem ao amigo, inspirada em uma tatuagem de Thiago. A peça virou símbolo da celebração e foi usada por amigos próximos.
