A mãe de Ryan da Silva Gonzales, de 26 anos, disse que “foi uma barbaridade” o que fizeram com o filho. Ele morreu na quarta-feira (17), três dias depois de ser encontrado nu e desacordado na Rua Alvilândia, no Bairro São Jorge da Lagoa, em Campo Grande.
Ryan foi socorrido na manhã de domingo e levado ao pronto-socorro da Santa Casa. No início, a suspeita era de overdose. Mas exames feitos durante a internação mostraram lesões graves pelo corpo e indícios de violência sexual.
A mãe, Rosilene Aparecida Pinto da Silva, de 50 anos, é professora em Ladário. Ela contou ao Campo Grande News que o filho morava em Campo Grande havia quase dois anos. Ele trabalhava como ajudante em uma borracharia e vivia no Bairro Parque do Lageado.
Rosilene disse que tinha visto Ryan poucos dias antes. Eles passaram cinco dias juntos durante o feriado de Corpus Christi. Ela voltou para Ladário no domingo, porque precisava trabalhar.
“Eu fui lá, estive com ele. Passei cinco dias com ele. Fiquei com ele lá e vim no domingo, porque sou professora aqui no município de Ladário e tinha que vir embora”, disse.
Ela foi avisada sobre o estado do filho na manhã de segunda-feira, enquanto dava aula. Uma assistente social da Santa Casa mandou uma mensagem dizendo que ele estava na UTI.
“Eu fui surpreendida. A assistente social da Santa Casa mandou uma mensagem para mim dizendo que ele se encontrava na UTI, internado. Eu estava na sala de aula. Quase me deu um infarto. Eu tinha ligado para ele no domingo, mandei mensagem, e ele não respondeu”, afirmou.
A última conversa entre eles foi no sábado, por chamada de vídeo. Ryan ligou enquanto a mãe ia para a igreja. “Eu falei para ele: ‘Meu filho, eu estou indo para a igreja’. E ele falou: ‘Ore por mim, mãe’. Eu falei: ‘Amém, eu estou indo para a igreja justamente para orar por você’. Foi o último momento que eu falei com ele”, lembrou.
No hospital, a médica da UTI disse a Rosilene que Ryan foi encontrado pelos bombeiros caído em uma rua, sem roupas. “Falaram que ele estava sem roupa e que aparentava ser morador de rua. Disseram que ele foi violentado, que bateram muito nele. A doutora falou que realmente ele estava machucado”, afirmou.
Rosilene saiu de Ladário por volta das 11h30 de segunda-feira, acompanhada de um pastor e uma pastora. Chegou à Santa Casa por volta das 18h. Um amigo de Ryan conseguiu visitá-lo na UTI antes dela. “Quando eu cheguei, veio correndo, me abraçou e falou que meu filho estava mal. Meu filho estava entubado, todo machucado, todo estourado. Disse que algumas partes dele já tinham paralisado: os rins, o baço e o fígado, devido a tanto baterem nele”, relatou.
Ryan morreu na quarta-feira. O corpo foi levado para Ladário, onde foi velado e sepultado no Cemitério Municipal na manhã de quinta-feira (18). “Eu trouxe ele para Ladário, porque a nossa família é daqui. Não tenho família em Campo Grande. Trouxe ele para ser velado e enterrado aqui”, contou a mãe.
Mãe cobra respostas
Abalada, Rosilene disse que ainda não conseguiu assimilar a morte do filho. “Estou muito mal. Eu nem sei explicar. Estou desorientada. Não tenho nem palavras para falar como estou me sentindo. Não estou bem. Acabei de falar para a minha família que não estou bem. Ainda não caiu a ficha de que enterrei o meu filho”, afirmou.
O celular de Ryan estava com um dos colegas. Rosilene disse que tentou contato várias vezes, mas ninguém respondeu. “Eu mandava mensagem no celular do meu filho, ligava, e nenhum deles me ligou ou mandou mensagem falando o que tinha acontecido com ele. Liguei para dois rapazes, que são irmãos, e ninguém falou comigo. Agora eu estou com o celular dele e acho que vou ter que ir a Campo Grande para deixar com a polícia”, disse.
Ela cobra respostas. “Eu quero que a justiça seja feita. Quero que encontrem quem fez isso com ele e que essa pessoa seja punida, porque foi uma barbaridade o que fizeram com meu filho. Eu não aceito. Meu filho era trabalhador, uma pessoa de bem, nunca fez nada com ninguém, e aconteceu isso com ele. Eu busco justiça. É a única coisa que eu quero”, declarou.
Rosilene disse que Ryan não havia relatado ameaças. “Em nenhum momento ele falou que estava sendo ameaçado. Não falava que tinha rixa com ninguém. Vivia uma vida tranquila”, afirmou. Ela contou que o filho usava cocaína, mas negou que ele fosse morador de rua. “Ele tem família, tinha casa, tinha serviço. Era uma pessoa digna, trabalhadora”, disse.
Segundo o boletim de ocorrência, Ryan deu entrada no hospital por volta das 5h de domingo, após atendimento do Corpo de Bombeiros. Inicialmente, os médicos suspeitaram de intoxicação. Exames posteriores apontaram lesões pelo corpo e um ferimento grave na região anal, o que levou à suspeita de abuso sexual. O caso será investigado pela 6ª Delegacia de Polícia Civil.
