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Brazil survey: 42.7% of elderly fear falls on bad sidewalks

Um estudo coordenado pela Fiocruz Minas e pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) aponta que 42,7% dos idosos no Brasil têm medo de cair devido às más condições das calçadas. O dado faz parte do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros, divulgado nesta terça-feira (26).

Entre as mulheres, a preocupação chega a 50,5% das participantes. Já entre os homens, o índice é de 31,9%. Em ambos os casos, pessoas com 80 anos ou mais são as que mais relatam receio. A pesquisa ouviu moradores com mais de 50 anos em 70 municípios de todas as regiões do país.

Em Campo Grande, a agente comunitária Regina Paredes, de 62 anos, contou que as dificuldades para caminhar são frequentes. “O desnível é grande e o cadeirante acaba tendo que ir para a rua. Idosos com bengala também têm muita dificuldade. Tenho receio de andar e cair por aí”, disse.

O empresário Moacir Pereira, de 89 anos, afirmou que já presenciou diversas quedas causadas por irregularidades nas calçadas. “A obra da Rua 14 de Julho ficou bonita, mas foi feita muito rápido e acabaram ficando problemas, como esses ressaltos nas calçadas, onde muita gente tropeça e cai”, afirmou.

No Bairro Amambaí, a reportagem encontrou calçadas tomadas por mato, deixando apenas um trilheiro para a passagem de pedestres. Também foram identificados obstáculos como árvores, tubulações sem tampa e entulhos, o que obriga moradores a caminhar pela rua. O vendedor Otis García, de 59 anos, relatou que os problemas são mais frequentes nos bairros. “As calçadas preocupam bastante por causa dos desníveis e da falta de conservação. Muitas vezes, a gente precisa andar na rua, correndo risco de atropelamento”, afirmou.

O estudo também revela que 20,9% dos idosos relataram ter sofrido quedas nos últimos 12 meses. Desses, 39% afirmaram ter caído duas ou mais vezes no mesmo período. Ainda segundo o levantamento, 34,3% dos participantes precisaram de atendimento de saúde após as quedas, e 3% relataram fratura de quadril ou fêmur no período de um ano.

A epidemiologista Maria Fernanda Lima-Costa, coordenadora do estudo, afirmou que os defeitos nas calçadas levam a quedas, que podem ter complicações graves, sobretudo entre os mais velhos.

Moradora do Bairro Santo Amaro, Jusceleide Gomes, de 44 anos, contou que já presenciou uma idosa sendo socorrida após cair. “As calçadas são muito ruins. Tem lugar que cadeirante nem consegue passar e precisa andar na rua. Esses dias, uma senhora caiu, machucou o rosto e precisou ser socorrida”, relatou. Thaele Neves, de 36 anos, que costuma passear com o filho em um carrinho, também relatou insegurança. “Dá receio, porque qualquer desnível pode virar o carrinho e assustar a criança”, disse.