Bullying persiste: escola reflete cultura violenta

O bullying persiste nas escolas porque a cultura dominante na sociedade é violenta e desigual, onde os mais fortes impõem seus interesses. Esse comportamento é um reflexo do que ocorre em outros ambientes sociais, como no nível institucional e político.
No ambiente escolar, a competição e o individualismo são valorizados. A busca por popularidade e liderança leva agressores a humilhar e violentar os colegas considerados mais fracos, como forma de afirmar superioridade.
A escola é vista como um local privilegiado para promover uma transformação cultural. As instituições de ensino, da educação infantil à universidade, podem trabalhar para valorizar a paz, a ética e a cooperação. Interromper uma aula para discutir um conflito, por exemplo, não é perda de tempo, mas sim uma forma de abordar temas como justiça e respeito.
Para que isso aconteça, é necessária uma mobilização de famílias, professores, gestores e governantes. Os professores precisam adotar práticas pedagógicas cooperativas e dialógicas, que já têm efeitos positivos comprovados. A pergunta que fica é até quando as escolas vão resistir a inovar e a criar espaços de diálogo sobre ética e democracia.
A autora, Ângela Uchôa Branco, orientadora no PPGPDE/UnB e no Labmis-UnB, convida pais e educadores a conversarem com crianças e adolescentes sobre o tema. Sem essa mobilização, a violência continuará a ocorrer em um ambiente que deveria ser de construção de conhecimento e democracia.