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Diretor do Ministério da Saúde explica causas das filas em MS

Por O Sertão Notícias · · 3 min de leitura
Diretor do Ministério da Saúde explica causas das filas em MS
Representantes do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde de Campo Grande durante visita locais de exames (Foto: Divulgação)

O diretor do Departamento de Estratégias para a Expansão e a Qualificação da Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Rodrigo Oliveira, esteve em Campo Grande nesta quinta-feira (13) para cumprir agenda institucional. Durante a visita, ele apontou as causas das longas filas para exames, consultas e procedimentos especializados no SUS, um problema que atinge todo o país, incluindo Mato Grosso do Sul.

Em entrevista ao Campo Grande News, Oliveira afirmou que a demora no atendimento não é uma particularidade da Capital sul-mato-grossense. “A questão das grandes filas, ela é um desafio nacional de todos os estados e também de todas as capitais”, disse. O diretor visitou a carreta de exames de imagem instalada na Esplanada Rodoviária e o Instituto da Visão, na Chácara Cachoeira, estruturas que integram o programa Agora Tem Especialistas.

O Ministério da Saúde aponta a pandemia de covid-19 como um dos fatores que agravaram o problema. Durante cerca de dois anos, parte da capacidade do sistema foi direcionada ao atendimento das vítimas da doença, reduzindo a realização de procedimentos eletivos e de atenção especializada. Isso aumentou a demanda reprimida, que seguiu pressionando o sistema mesmo após a fase mais crítica da emergência sanitária.

Para o diretor, a pandemia não explica sozinha a dimensão das filas. Ele destacou que o Brasil aumentou em cerca de dez anos a expectativa de vida nos últimos 30 anos. “Ao viver mais, a gente está mais exposto a doenças como câncer, a doenças cardiovasculares”, afirmou. Ele também citou mudanças nos hábitos de vida, como o aumento do consumo de ultraprocessados e a redução de exercícios físicos, que ampliam a demanda por atendimento.

Programa Agora Tem Especialistas

O programa Agora Tem Especialistas estabeleceu seis especialidades prioritárias: cardiologia, oncologia, saúde da mulher, ortopedia, otorrinolaringologia e oftalmologia. Segundo Oliveira, o volume de cirurgias eletivas no país passou de aproximadamente 10 milhões em 2022 para 15 milhões em 2025. Ele pondera, porém, que o problema não será solucionado rapidamente. “Esse é um desafio, não de um ou dois anos, mas ele é um desafio de reorganização profunda do sistema de saúde”, disse.

Em Campo Grande, a carreta de exames de imagem está na Esplanada Rodoviária desde 29 de julho e oferece tomografias e ultrassonografias para pacientes do SUS encaminhados pelas secretarias municipais de Saúde. O diretor também visitou o Instituto da Visão, que atende gratuitamente pacientes por meio da modalidade de crédito financeiro do programa.

Mapeamento das filas

O Ministério da Saúde trabalha na construção de um painel nacional de monitoramento do tempo de espera, a partir da integração dos dados da Rede Nacional de Dados em Saúde. A expectativa é que, na virada do ano, o governo tenha um conjunto de dados capaz de qualificar o planejamento das políticas públicas. O desafio, segundo o diretor, é integrar informações de mais de 5 mil bancos de dados, considerando os 5.570 municípios brasileiros, os estados, o Distrito Federal e a União.

Questionado sobre o impacto dos investimentos federais na redução das filas em Mato Grosso do Sul, Oliveira não apresentou números estaduais. Ele afirmou que o Ministério já identifica resultados nas diferentes ações do programa, mas que os efeitos variam conforme a estrutura e a demanda de cada localidade. A falta de uma base nacional integrada dificulta, atualmente, uma comparação precisa entre os tempos de espera dos diferentes estados e municípios.

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