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“Melhor ficar na cadeia do que morrer na rua”, diz tia de adolescente executado

Por O Sertão Notícias · · 2 min de leitura
“Melhor ficar na cadeia do que morrer na rua”, diz tia de adolescente executado
Sala da residência onde o adolescente de 16 anos foi morto a tiros (Foto: Victória Costacurta)

Uma tia do adolescente de 16 anos morto a tiros na madrugada desta segunda-feira (20), no Jardim Nhanha, em Campo Grande, afirmou que a violência e o tráfico na região têm gerado medo nos moradores. “Acho que a melhor opção é ficar na cadeia do que morrer na rua. Porque na cadeia ele fica guardado. Ninguém quer parar aqui”, disse a mulher, que pediu para não ter o nome divulgado.

Ela mora perto da casa onde o sobrinho foi morto e contou que estava dormindo quando ouviu os disparos e gritos. Com medo, não saiu de casa. “Nem abri o portão, fiquei dentro de casa. Tenho medo de falar. Se eu falar, vão matar meu filho”, afirmou.

Segundo a tia, o próprio filho já foi vítima de uma tentativa de homicídio na esquina da residência onde o crime ocorreu. “Meu filho levou um tiro e caiu mais para baixo. O amigo dele chegou na hora, socorreu e levou para o hospital”, relatou.

Ela disse ainda que o sobrinho tinha envolvimento com drogas e que a mãe dele havia comentado sobre ameaças anteriores. O filho dela também foi ameaçado de morte e foi retirado do bairro. De acordo com a testemunha, havia outra pessoa na casa no momento dos disparos, possivelmente um amigo da vítima, que teria fugido após os tiros. “Quem não correria em uma hora dessas?”, questionou.

Câmeras de segurança próximas registraram o suspeito chegando ao local, mas os moradores não compartilharam as imagens por medo de represálias.

Segundo o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi chamada após moradores ouvirem disparos na Rua Eduardo Pérez. Quando a equipe chegou, os bombeiros já estavam no local. O adolescente foi encontrado caído perto da porta da sala. Testemunhas disseram que o atirador chegou em uma motocicleta Honda Biz, entrou pelo portão e foi até a sala, onde a vítima estava deitada no sofá. Ele disparou várias vezes e fugiu.

Outro adolescente dormia na casa e acordou com o barulho. Ao sair, encontrou a vítima caída, mas não viu quem atirou. A testemunha também disse que, dois dias antes, o adolescente havia discutido com uma pessoa que não morava na região. O motivo não foi informado.

A perícia encontrou no imóvel 11 cápsulas de munição calibre 9 milímetros, dois projéteis e parte metálica de outro projétil. Equipes do GOI (Grupo de Operações e Investigações) e da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol estiveram no local para fazer os primeiros levantamentos.

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