Pai de bebê desaparecida nega dívida com facção e contesta versão

O pai da recém-nascida de 28 dias desaparecida em Campo Grande prestou depoimento na manhã desta sexta-feira (7) na DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) e negou ser integrante de facção criminosa. A informação foi repassada pela cunhada dele, de 21 anos, que trabalha como diarista em cemitérios.
A família contesta a versão de que a bebê teria sido entregue para quitar uma dívida do pai com criminosos. Segundo a cunhada, houve um mal-entendido nas informações repassadas durante a investigação. A dívida citada nos relatos seria do companheiro da mulher apontada como responsável pelo desaparecimento da criança, e não do pai da bebê.
“Entenderam errado. Em vez de colocar que a mulher pegou a criança para pagar uma dívida do marido dela, colocaram que a menina entregou para pagar dívida do pai da criança, e não é verdade”, afirmou a familiar.
O pai da criança não quis falar com a imprensa, mas demonstrou preocupação com a filha e com a própria segurança. “Agora estão falando que sou da facção, estamos sofrendo ameaças”, disse.
Sequência dos fatos
A cunhada sustenta que a mãe adolescente foi alvo de abordagem pela mulher durante meses, por meio de conversas na internet. O contato teria começado ainda na gravidez, com a suspeita demonstrando interesse pela saúde da jovem e pelo bebê.
Após o nascimento, a mulher teria oferecido um book fotográfico para a recém-nascida, mas o avô da adolescente impediu o encontro por não conhecer a suspeita. Em outra ocasião, a mulher propôs uma diária de R$ 100 para a jovem cuidar de uma criança. A adolescente foi ao local acompanhada da irmã, também menor de idade, levando a bebê.
A família afirma que, no imóvel, as duas jovens foram incapacitadas, encapuzadas e deixadas na rua sem a criança. Uma delas teria observado características do local, descrito como uma casa próxima à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Bairro Universitário, com portão marrom.
A suspeita foi descrita como loira, de cabelos lisos e compridos, porte físico forte e idade aparente entre 30 e 32 anos. A cunhada afirma que a própria mulher teria dito à mãe da criança que queria ficar com a bebê por causa de uma dívida do companheiro.
Desespero da família
A recém-nascida mora com a mãe na casa do bisavô materno. A família passou a madrugada em busca de informações. “A gente pede para a população que ajude a encontrar a bebê. A gente não sabe nada dela. Qualquer informação, quem souber de alguma mulher que apareceu de repente com uma recém-nascida, que procure a polícia”, pediu a cunhada.
Ela reforçou que a mãe cuidava bem da criança, fez o pré-natal e que a família comprou roupinhas para a bebê. A criança ainda não havia sido registrada, o que aumenta o temor de que outra pessoa tente fazer o registro.
O caso foi inicialmente comunicado como sequestro. Depoimentos colhidos pela Polícia Civil indicaram que as adolescentes teriam admitido a entrega da criança. A família contesta essa versão e afirma que as jovens foram vítimas. A polícia segue procurando a recém-nascida.