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Prefeitura reabre abrigo para 250 pessoas em Campo Grande

Por O Sertão Notícias · · 3 min de leitura
Prefeitura reabre abrigo para 250 pessoas em Campo Grande
Moradores de rua se agrupam entre colchões montados no Parque Ayrton Senna, em Campo Grande. (Foto: Paulo Francis)

A Prefeitura de Campo Grande reabriu, no início da noite desta terça-feira (23), o ponto de apoio do programa "Inverno Acolhedor", situado no Parque Ayrton Senna, região do Aero Rancho. A estrutura para proteger pessoas em situação de rua do frio começou a funcionar às 18h, com capacidade para receber até 250 pessoas por noite, com comida, local para dormir, atendimento médico e acolhimento social.

Durante a abertura dos atendimentos, a vice-prefeita e secretária municipal de Assistência Social e Cidadania, Camilla Nascimento, informou que cerca de 60 pessoas já seguiam para o local no começo da noite. Segundo ela, a capacidade pode ser ampliada caso a demanda aumente. "Nesses quatro dias das duas primeiras etapas, acolhemos 323 pessoas. Hoje já temos 60 vindo para cá, mas podemos atender muito mais, chegando a 250 pessoas. Se precisar, vamos providenciar outros acolhimentos para garantir a segurança delas", afirmou.

Conforme a secretária, o objetivo da ação vai além da proteção contra as baixas temperaturas. A iniciativa também busca reconstruir vínculos familiares e aproximar essa população dos serviços públicos. "A partir das conversas e das histórias de vida, conseguimos encaminhar para habitação social, mercado de trabalho, emissão de documentos e outros atendimentos. Quando conseguimos restaurar algum vínculo, já consideramos um resultado importante", disse.

A ação também contempla pessoas que possuem animais de estimação. A Subea (Superintendência de Bem-Estar Animal) oferece ração e atendimento veterinário aos pets que acompanham os acolhidos. Segundo Camilla, a presença dos animais costuma ser um dos motivos para a recusa de acolhimento em abrigos tradicionais. "Aqui recebemos os pets, alimentamos e oferecemos atendimento quando necessário. Isso ajuda muitas pessoas a aceitarem o acolhimento", explicou.

A prefeitura também mantém campanha de arrecadação de roupas de inverno. As doações podem ser entregues no próprio Parque Ayrton Senna durante o funcionamento do ponto de apoio.

Recusas preocupam

Apesar da oferta de abrigo, a prefeitura ainda enfrenta resistência de parte da população em situação de rua. Nas duas etapas anteriores do Inverno Acolhedor, as equipes registraram 34 recusas. De acordo com a secretária, a situação preocupa devido aos riscos provocados pelas baixas temperaturas. "As recusas geram insegurança porque estamos falando de vidas. A hipotermia e outros problemas de saúde podem acontecer. Nossas equipes trabalham 24 horas por dia e podem insistir na abordagem, mas não podem obrigar ninguém a permanecer no acolhimento", ressaltou. Camilla também pediu que moradores acionem os serviços municipais sempre que encontrarem pessoas expostas ao frio nas ruas da cidade.

Entre as pessoas acolhidas nesta terça estava Patrícia de Souza, de 41 anos. Há 13 anos em situação de rua, ela afirmou que o programa ajuda a enfrentar o frio e oferece oportunidades de mudança. "Esse projeto é importante para a gente não passar frio nem fome. Alguns acabam morrendo nessas condições. No acolhimento, a gente consegue refletir, participar das atividades e buscar mudanças", relatou. Patrícia contou que já participou de outras ações promovidas pela prefeitura e atualmente realiza tratamento médico com acompanhamento da rede pública. Ela também destacou a sensação de segurança proporcionada pelo espaço. Segundo a acolhida, mulheres enfrentam situações frequentes de violência nas ruas. "Aqui é uma forma de proteção. Na rua, a gente fica exposta a muitas situações, principalmente as mulheres", afirmou.

Pela primeira vez no Inverno Acolhedor, Roselia Aparecida de Frisa Lucatelli, de 51 anos, disse que decidiu aceitar o convite após ser abordada no Centro POP. "Fui muito bem recebida. Estamos aqui por segurança, para não ficar procurando lugar para dormir ou correndo risco de ser roubada. Só temos a agradecer", declarou. Roselia afirmou que está em situação de rua há cerca de dois anos e considerou o acolhimento uma oportunidade para enfrentar as noites mais frias com mais tranquilidade.

O ponto de apoio funcionará durante o período noturno até quinta-feira (25). O pernoite termina diariamente às 6h. Em seguida, os acolhidos são encaminhados ao Centro POP, onde recebem café da manhã, almoço, lanche da tarde e acesso aos demais serviços da rede municipal de assistência social.

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