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Sérgio Vaz na Flib: "Influenciadores não me influenciam

Por O Sertão Notícias · · 2 min de leitura
Sérgio Vaz na Flib: "Influenciadores não me influenciam
Sérgio Vaz defende uma escrita simples, próxima das pessoas e capaz de transformar vidas. (Foto: Clayton Neves)

O escritor e poeta Sérgio Vaz afirmou que os influenciadores digitais não o influenciam em nada. A declaração foi feita durante sua participação na Flib (Feira Literária de Bonito), nesta quarta-feira (8).

"Os influenciadores não me influenciam em nada. A não ser apostar, e como eu não aposto, então não servem para nada pra mim", disse, arrancando risos do público presente na entrevista.

Conhecido por levar a literatura para as periferias e por ser um dos criadores da Cooperifa, movimento que transformou saraus em espaços de encontro e resistência cultural na periferia de São Paulo, Sérgio Vaz defende uma escrita simples e próxima das pessoas.

Segundo ele, a literatura periférica tem um papel importante na construção da identidade de quem historicamente ficou de fora dos livros. "Pra nós, que somos negros e periféricos, a importância da literatura é a gente ter consciência da nossa própria história, do protagonismo que nós temos no Brasil e que muitas vezes não é lembrado", afirmou.

Ele explicou que o objetivo é contar essas histórias com base no relato de quem realmente vive essa realidade. "A literatura periférica quer resgatar essa história com novos protagonistas e contada por dentro."

Apesar da concorrência das redes sociais, Vaz acredita que a juventude nunca esteve tão próxima da palavra. Para ele, a poesia ganhou novos formatos e ocupa espaços que vão além das páginas dos livros. "Hoje nós temos saraus, slãs, batalhas de rima, onde o protagonismo é a palavra. Nem sempre é o livro, mas é a palavra."

Durante a palestra, o escritor também defendeu uma poesia acessível, dizendo que muitas pessoas gostam de poesia sem perceber. Na visão dele, ela está presente nas músicas, nas conversas e na forma como as pessoas se expressam no dia a dia.

Ao falar sobre o próprio caminho na literatura, Sérgio Vaz disse que sempre soube que queria viver da palavra. "Talvez, se eu não vivesse do que eu estou vivendo hoje, talvez eu não gostaria de viver. Porque, para mim, a palavra, o livro, a leitura, a poesia têm tudo a ver comigo, com a minha humanidade."

Para ele, a leitura continua sendo uma das ferramentas mais importantes de transformação. "Eu estou aqui porque eu fui transformado." Mesmo diante das mudanças na forma de consumir informação, o escritor enxerga avanços na juventude. "Eu acho que a juventude de hoje tem muito mais informações do que a minha época... Eu vejo que está muito melhor."

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