Adriane cita limite fiscal após professores rejeitarem reajuste

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), afirmou nesta quarta-feira (8) que não pode descumprir a lei do piso dos professores, mas também disse que não pode "ser irresponsável com o dinheiro público". A declaração foi dada um dia depois de professores da Reme (Rede Municipal de Ensino) rejeitarem a proposta da Prefeitura de parcelar até janeiro de 2027 o reajuste de 5,4%.
"Eu não posso descumprir a lei do piso, mas também não posso ser irresponsável com o dinheiro público. Toda medida tomada precisa ser feita com muita cautela e responsabilidade. Se a gente assumir um compromisso, precisa ter condições de cumpri-lo", afirmou Adriane.
Na noite de terça-feira (7), a categoria rejeitou, por ampla maioria, a proposta apresentada pelo Executivo. O texto previa três parcelas: 1,7% na folha de setembro, 1,7% em dezembro e 2% em janeiro de 2027. O ponto mais criticado pelos professores foi deixar parte do reajuste para o próximo ano.
Nesta quarta-feira, o presidente da ACP (Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública), Gilvano Bronzoni, disse que o ofício com a resposta da categoria já foi encaminhado à prefeitura. Segundo ele, o sindicato segue negociando com secretários municipais e pediu nova reunião para quinta-feira (9). "Até aquele dia não tínhamos os 5,4%. Agora que temos, queremos que seja pago ainda este ano. Já foram cinco reuniões", afirmou Bronzoni.
A contraproposta aprovada em assembleia aceita discutir a forma de pagamento dos 5,4%, desde que todo o índice seja quitado dentro de 2026. Ou seja, os professores não fecharam posição sobre pagamento de uma vez ou dividido em parcelas, mas rejeitam qualquer valor empurrado para janeiro.
Adriane afirmou que a discussão está sendo conduzida por uma comissão formada por vereadores, representantes da ACP e pela Secretaria Municipal de Administração. Segundo ela, o grupo volta a se reunir para avaliar por que a proposta foi rejeitada, já que, na visão da prefeitura, o acordo havia sido construído dentro das condições financeiras do município.
"Foi uma tratativa construída em conjunto e agora essa mesma comissão vai entender por que, se estava tudo organizado dentro da proposta, ela acabou sendo rejeitada. Hoje essa comissão se reúne novamente para entender essa situação e para que a gente possa avançar", disse.
A prefeita voltou a citar o plano de equilíbrio fiscal e afirmou que Campo Grande tem "o maior salário do Brasil na educação". Segundo Adriane, quando assumiu a gestão, o piso municipal era 50% acima do piso nacional. Agora, conforme a prefeita, está 72% acima.
Adriane também afirmou que o município investe mais de 30% do orçamento em educação e citou reformas em 206 escolas como parte dos avanços da área. Mesmo assim, disse que a prefeitura precisa considerar o impacto do reajuste na folha de pagamento e nos índices fiscais do município.
Além dos 5,4%, a proposta recusada pela categoria deixava para 2027 a discussão de outro acréscimo de 3%, previsto na Lei 7.523, de novembro de 2025. A prefeitura argumenta que esse ponto dependerá de nova avaliação das condições fiscais e orçamentárias do município.
A ACP também cobra que a prefeita participe diretamente da próxima reunião. Na assembleia, os professores aprovaram ainda a exigência de publicação da tabela salarial no Diogrande (Diário Oficial do Município), com valores e prazos definidos, além da divulgação mensal das reuniões da comissão que acompanha as verbas da educação.