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Aeroporto só para voo visual: neblina vira foco em queda de avião

Por O Sertão Notícias · · 2 min de leitura
Aeroporto só para voo visual: neblina vira foco em queda de avião
Aeroporto localizado na região leste da Capital recebe aeronaves menores (Foto: Arquivo Governo/ Edemir Rodrigues)

O Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande, onde um avião caiu na manhã desta sexta-feira (3), é classificado para operações visuais, conhecidas como VFR. A informação consta no Rotaer, publicação oficial do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). A forte neblina registrada na região gerou debate entre profissionais da aviação.

No voo visual, o piloto precisa manter referências visuais do terreno e do horizonte. Já os voos por instrumentos (IFR) permitem operações com visibilidade reduzida, usando equipamentos de navegação. Como o Santa Maria não possui procedimentos IFR publicados, a decisão de voar em condições desfavoráveis depende da avaliação do comandante.

Segundo pilotos ouvidos pela reportagem, a ausência de procedimentos IFR faz com que a operação em más condições meteorológicas seja uma decisão individual. "Cada piloto avalia as condições naquele momento", disse um profissional que acompanha o caso e pediu anonimato.

As condições climáticas da madrugada e do início da manhã devem ser analisadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Campo Grande amanheceu com nevoeiro, garoa e sensação térmica de 7,6°C. O nevoeiro foi registrado na região das avenidas Três Barras e Ministro João Arinos, onde fica o aeroporto.

O voo que caiu deveria ter decolado às 5h, mas foi adiado por causa do tempo. A aeronave deixou a pista às 6h20 e caiu em uma área de mata perto do Condomínio Atlântico. A aeronave acidentada tinha autorização para voos IFR, segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) da Anac. Especialistas explicam que a certificação da aeronave é diferente da classificação do aeródromo.

A administração do Aeroporto Santa Maria informou que as informações operacionais da pista estão nas publicações oficiais. O acidente será investigado pelo Cenipa. A queda matou o piloto Henrique Martins e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff.

Reforma anunciada

A discussão sobre as condições do aeroporto ocorre após o anúncio de um investimento de R$ 45,7 milhões para modernização. Em fevereiro, a Agesul homologou a licitação para obras de recuperação e ampliação do aeródromo.

O projeto inclui a recuperação e ampliação da pista de pouso e decolagem, do pátio de estacionamento de aeronaves e das áreas de taxiamento. Também está prevista a implantação de guarita e receptivo para passageiros.

O governo estadual informou que o investimento faz parte do plano aeroviário de Mato Grosso do Sul, voltado à ampliação da infraestrutura aeroportuária e ao fortalecimento da logística regional. A obra integra um pacote de investimentos em aeroportos e aeródromos em diferentes regiões do Estado.

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