Passar por uma anestesia já assusta muitos adultos. Para crianças, o medo costuma ser ainda maior. Não só pela anestesia em si, mas por tudo o que envolve aquele momento: hospital, aparelhos, pessoas desconhecidas e até a separação dos pais.
Mas pequenos detalhes podem ajudar a transformar essa experiência. No atendimento pediátrico da Servan Anestesiologia, crianças chegam ao centro cirúrgico usando capas de super-herói, asas de borboleta ou olhando para um “céu estrelado” projetado no teto enquanto a anestesia acontece.
Segundo a médica anestesiologista Marina Franzim, muitas vezes o medo vem mais da imaginação do que do procedimento em si. “A criança pode ter medo do desconhecido, do ambiente hospitalar, da separação dos pais, dos aparelhos, das pessoas diferentes ao redor e, principalmente, da sensação de perder o controle. Muitas vezes, ela não tem medo exatamente da anestesia, mas do que imagina que vai acontecer”, explica.
Por isso, a forma como a equipe conversa com a criança faz diferença. Em vez de termos técnicos, a explicação entra no universo infantil. A máscara pode virar “máscara de astronauta”, por exemplo, e a criança pode escolher um cheirinho, levar um brinquedo ou participar de pequenas decisões. “Quando usamos uma linguagem lúdica, adequada à idade da criança, conseguimos transformar um momento assustador em algo mais compreensível. A criança deixa de ser apenas ‘levada’ para o procedimento e passa a se sentir acompanhada e respeitada”, destaca Marina.
Além da parte emocional, o cuidado envolve toda uma avaliação antes da anestesia, considerando idade, peso, histórico de saúde, alergias, jejum e até doenças respiratórias recentes. “A criança não é um adulto pequeno. Ela tem particularidades respiratórias, cardiovasculares, metabólicas, emocionais e de desenvolvimento. Tudo isso permite escolher a técnica mais segura e adequada para cada criança”, afirma.
Uma das formas encontradas pela empresa para reduzir a ansiedade foi criar um material lúdico. Inspirado nos tradicionais livrinhos de colorir, o projeto mostra, de forma simples, etapas como a consulta pré-anestésica, a chegada à sala cirúrgica e o momento do pós-anestésico. O personagem principal percorre tudo acompanhado de um ursinho de pelúcia. O material também reproduz elementos reais usados no atendimento pediátrico, como o astronauta que ilumina o teto do centro cirúrgico.
Para Elizabeth Vanuchi, a informação ajuda a diminuir a insegurança tanto das crianças quanto dos pais. “O maior medo que as pessoas têm da anestesia é sanado com informação. E se para um adulto isso já é assustador, para uma criança é ainda mais. Não é fácil para os pais verem os filhos passarem por um procedimento cirúrgico ou até mesmo um exame, então esse medo é completamente natural”, afirma.
Segundo ela, a ideia surgiu para aproximar as famílias da realidade do atendimento e mostrar, de forma leve, o que acontece durante o processo. “Tudo foi pensado para tirar o medo dos nossos pacientes e também aproximar os pais da forma como trabalhamos. As ilustrações foram inspiradas em ambientes reais, justamente para que as crianças consigam se reconhecer nesses espaços, mesmo em momentos delicados”, completa.
O acolhimento também passa pelos responsáveis. Crianças costumam perceber rapidamente quando os pais estão nervosos ou inseguros. “Para a criança, a tranquilidade dos pais é uma das formas mais importantes de segurança. Nosso objetivo é cuidar não apenas do procedimento, mas da experiência de toda a família”, reforça Marina.
