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Brazil’s ‘Moreninhas’ Flirt Spot Had Notes, Announcer and Window Escapes

Antes dos aplicativos de namoro e das mensagens instantâneas, os jovens de Campo Grande viviam a chamada Paquera das Moreninhas. Nos anos 1980 e 1990, o flerte acontecia do lado de fora do Clube Flash Dance, na Rua Friburgo. Os jovens passavam a semana inteira esperando o domingo chegar para tentar a sorte. Entre caixas de som tocando flashback, bilhetinhos lidos no microfone por um locutor e olhares tímidos, muitas histórias de amor ou de corações partidos começaram ali.

O Campo Grande News resgatou parte dessa história. O caminhoneiro Gesse Caetano dos Santos, de 56 anos, relembra a época com carinho. “A paquera foi uma coisa maravilhosa. Nessa época éramos pessoas inocentes, saíamos no domingo para compartilhar com os nossos amigos. Passávamos a semana inteira pensando na paquera”, conta. Ele admite que conquistar alguém não era fácil. “Na época eu era o patinho feio, as meninas não gostavam de mim”.

Naquele tempo, o flerte dependia de um locutor e da coragem para escrever um bilhete. “Tinha um locutor que a gente pegava bilhete e mandava para uma série de pessoas. No meu caso, nunca recebi bilhetinho de ninguém”, lembra Gesse. As mensagens eram diretas: “Eu sou fulano, eu te amo, vem bater um papo aqui comigo”. Casado há 36 anos, ele conheceu a esposa ainda criança, no bairro Piratininga, e os dois se reencontraram anos depois em uma festa infantil.

O comerciante Roberto da Silva Alcantud, de 51 anos, conhecido como Roberto 21, lembra do ritual dos adolescentes aos domingos. “A gente tinha o nosso point. Saía dos clubes e ia para lá, ficávamos reunidos na praça. Não é como hoje com som alto e carro. A gente se reunia com rádios de fita”. Segundo ele, a diversão estava na simplicidade. “Quando chegava um recadinho, o locutor falava: ‘Ei, você de jaqueta x, tem fulano afim de você’. Era assim e dali saíam muitos namoros e casamentos”.

Lucimar Nogueira França, de 57 anos, enfrentava os desafios do amor adolescente e ainda precisava driblar a vigilância dos pais para sair de casa. “Meu pai e minha mãe não deixavam, eu fugia, pulava a janela”, conta, entre risos. Ela lembra que o bairro lotava aos domingos e existiam divisões territoriais. “Moreninha 2 não podia vir na 3. Quem era de fora não podia entrar”. A trilha sonora era marcada por Michael Jackson, Madonna e Queen. “Não tinha celular, era na base do bilhete”, resume.

Cezar de Medeiros, de 55 anos, recorda outros sinais de interesse. “Tinha casca de bala amarrada para mandar beijo. A gente amarrava e dava pras meninas, era sinal que a gente queria um beijo”, explica. Os amigos também ajudavam na missão de entregar os bilhetes. “Ele falava: ‘estão afim de você, achei você bonita, queria um beijo, queria te conhecer’. Era coisa de menino”.

Entre danças, recados no microfone e romances tímidos, a paquera das Moreninhas virou memória afetiva de uma geração. Uma época em que esperar um simples bilhete podia fazer o coração bater mais rápido durante a semana toda.