Dourados pagou até R$ 169 por kit de editora investigada

A prefeitura de Dourados pagou até R$ 169,29 por um kit pedagógico da Editora Avante, empresa investigada pelo Gaeco. O município foi o que mais gastou com os materiais da editora, adquirindo 132.705 kits por R$ 13 milhões em duas contratações distintas.
A primeira compra, entre setembro de 2023 e janeiro de 2025, custou R$ 4,3 milhões. A segunda, entre julho de 2024 e julho de 2025, teve valor de R$ 8,7 milhões. A rede municipal de Dourados tinha 33.965 estudantes até o ano passado.
As aquisições ocorreram na gestão do ex-prefeito Alan Aquino Guedes (PP-MS), que comandou a segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul entre 2021 e 2024. Na época, professores passaram por um curso relacionado aos kits, que abordam temas como autismo, musicalização e incentivo ao protagonismo escolar.
Publicação de junho de 2024 na página da prefeitura mostra que ao menos 200 professores e coordenadores da pré-escola ao 9º ano participaram da formação, realizada entre os dias 3 e 7 de junho. A postagem informa que a “iniciativa engloba projetos que visam integrar professores, estudantes e suas famílias em diversas ações”, citando o livro “O Mundo do Theo”, voltado para crianças da pré-escola até o 5º ano.
O projeto “Craque na Vida” também foi destacado na publicação. Ele visava incentivar o protagonismo estudantil por meio da identificação de habilidades, além de prevenção ao bullying e ao uso de drogas. A prefeitura afirmou que os projetos eram oferecidos pela Editora Avante e faziam parte de “experiências pedagógicas diferenciadas”. A formação tinha 20 horas de aula em vídeo, além do material impresso.
O valor mais alto por unidade foi do livro “Coleções Cores, Formas, Letras, Número e Contrários”, com 2,2 mil unidades compradas por R$ 169,29 cada, totalizando R$ 372,4 mil. O item com maior quantidade foi “Mosquito, aqui não!”, com 22.145 livros ao custo de R$ 82,00 cada, somando R$ 1,8 milhão.
A segunda maior compra foi do livro “Droga o que é? Atenção aos perigos”, que custou R$ 1,9 milhão para 17.060 unidades, a R$ 114,00 cada. Em nota, a prefeitura de Dourados disse que “não vai se manifestar sobre contratos assinados na gestão anterior e que esse caso está sendo tratado pelas autoridades competentes”. A administração atual afirmou que “nessa gestão não houve qualquer relação comercial com a empresa investigada pelo Gaeco”.