Empresária paga fiança, mas segue presa por outro crime

A empresária Rossana Paroschi Jafar, de 54 anos, pagou fiança de R$ 4.863, mas continua presa. A cirurgiã-dentista e sócia-administradora da Gráfica Alvorada obteve liberdade provisória em um processo, mas segue detida por outro mandado.
Na terça-feira (7), equipes cumpriram mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra ela. A ação faz parte da Operação Gutenberg, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado), que investiga fraude em contratos públicos de R$ 27 milhões.
Durante a vistoria no apartamento de Rossana, em Campo Grande, foram encontradas cinco munições calibre .38 em uma gaveta. Ela foi autuada em flagrante por posse irregular de munição. Em interrogatório, disse desconhecer as munições e sugeriu que poderiam ter pertencido ao marido falecido.
Na quinta-feira (9), o juiz Marcus Abreu de Magalhães homologou a prisão em flagrante e concedeu liberdade provisória mediante fiança. O pagamento foi feito e o alvará de soltura foi certificado, mas a medida vale apenas para o caso das munições. Rossana permanece presa por ordem do Núcleo de Garantias, relacionada à Operação Gutenberg.
A defesa pediu a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares, como monitoramento eletrônico. O juiz, no entanto, entendeu que a decisão cabe ao Núcleo de Garantias.
Operação Gutenberg
A operação cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investiga uma organização criminosa suspeita de crimes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro. O Gaeco aponta que mais de R$ 27 milhões foram movimentados em contratos para aquisição de livros paradidáticos.
A investigação também atinge a área da saúde, com servidores públicos suspeitos de usar influência sobre exames e cirurgias em benefício do esquema.
Além de Rossana, dois filhos dela, Olívia e Felipe Paroschi Jafar, foram presos. Um terceiro filho, Giovanni Paroschi Jafar, é procurado. A Gráfica Alvorada já foi alvo de investigação há dez anos. O marido de Rossana, Mirched Jafar, dono da gráfica, morreu em 2021 e foi preso na Operação Lama Asfáltica.
As prisões preventivas foram mantidas após as audiências de custódia. As defesas dos presos na Operação Gutenberg preparam pedidos de habeas corpus.